Toffoli diz que não recebeu dados do celular de Vorcaro enquanto era relator do caso Master

admin
6 Mar, 2026
O ministro Dias Toffoli , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), disse nesta sexta-feira (6) que não represou informações sobre o Master enquanto era relator do caso e que a Polícia Federal (PF) não enviou à Corte dados extraídos de celulares de investigados como Daniel Vorcaro , dono do banco. Em nota, o gabinete do ministro afirma que até 12 de fevereiro, data em que Toffoli deixou a relatoria das investigações sobre o Master, a PF não havia encaminhado nenhum dado extraído de celulares de investigados. O documento é encaminhado no momento em que Toffoli é criticado por ter supostamente deixado de atuar diante de indícios graves de que funcionava em torno de Vorcaro um esquema que não estaria restrito a supostos crimes contra o sistema financeiro, mas também de monitoramento de adversários e jornalistas. Trata-se de um balanço de sua atuação enquanto conduzia os inquéritos do Master. “A operação foi realizada no dia 14 de janeiro de 2026. Naquela ocasião, determinei que o material apreendido fosse encaminhado aos agentes investigatórios, jamais tendo sido acautelado no Supremo Tribunal Federal. Até o dia 12 de fevereiro de 2026, data em que deixei a relatoria do caso, nenhum material havia sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal”, diz a nota do gabinete. “Feitos esses registros, ressalto que desde que assumi a relatoria da operação compliance zero até deixar a relatoria, deferi todas as medidas requeridas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, as investigações continuaram a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos e nenhum pedido de nulidade foi deferido”, prossegue o texto. Toffoli foi duramente criticado por integrantes da PF por ter supostamente atrapalhado o acesso de investigadores às informações. A segunda fase da Compliance Zero ocorreu em 14 de janeiro. Em um primeiro momento, o ministro determinou que as provas colhidas ficassem lacradas no Supremo. Diante de críticas, ele recuou parcialmente e determinou a remessa do material à Procuradoria-Geral da República (PGR). As duas decisões, na prática, impediram que a PF acessasse equipamentos que foram apreendidos pela própria corporação. Em 15 de janeiro, houve um novo recuo: o ministro enfim autorizou que a PF trabalhasse no material, mas definiu que só quatro peritos indicados por ele poderiam acessar os dados. Só em 19 de fevereiro é que as restrições foram integralmente derrubadas por André Mendonça , novo relator do caso Master. O ministro determinou que agentes que atuam nas investigações retomassem o “fluxo ordinário de trabalho pericial” e extraísse normalmente informações de equipamentos apreendidos na segunda fase da Compliance Zero . Como mostrou o Valor , as barreiras impostas por Toffoli mantiveram 111 celulares intocados. Além disso, a análise de dados de aparelhos dos banqueiros Daniel Vorcaro e Augusto Lima avançou com dificuldades até Mendonça assumir o caso. Toffoli quer votar no caso Master A defesa feita pelo gabinete de Toffoli também ocorre no momento em que se aproxima o julgamento da Segunda Turma da Corte que analisará a prisão de Vorcaro . Toffoli pretende votar e não irá se declarar impedido, conforme mostrou o Valor na quinta-feira (5). Apesar de estar sob pressão, Toffoli tem afirmado a interlocutores que participará normalmente do julgamento que trata do Master , marcado para começar na próxima sexta-feira (13). Toffoli pretende manter a posição que tinha desde quando era relator do caso Master: a de que não haveria motivos para se considerar suspeito ou impedido e que está apto a atuar normalmente nas investigações sobre o banco. Esse posicionamento foi mantido por ele mesmo após as revelações de que uma empresa dele e de familiares teria vendido a participação em um resort a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Há várias possibilidades na mesa do ministro. Uma das aventadas por colegas é Toffoli optar por não votar e, ao mesmo tempo, não se considerar impedido de participar do julgamento. Ou seja, se abster. Embora não seja comum, ministros podem deixar de lançar voto em julgamentos virtuais. Até 2020, a falta de manifestação era computada como voto em favor do entendimento do relator. Na gestão de Toffoli como presidente, a falta de manifestação passou a ser considerada como abstenção. Uma ala defende que ele se declare impedido. A medida, afirmam, poderia poupar Toffoli e a Corte de críticas em um momento de crise. Segundo explicam, não há suspeição ou impedimento formal do ministro. Ainda assim, votar poderia aprofundar ainda mais o momento de fragilidade em que o Supremo está.