F1: Gabriel Bortoleto brinca sobre estreia da Audi na F1: “Se me dissessem que pontuaríamos, diria que estavam bêbados”
10 Mar, 2026
A estreia da Audi na Fórmula 1 aconteceu cercada de ceticismo. No entanto, já na primeira corrida da equipe na categoria, o Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1 acabou trazendo um resultado que poucos ousariam prever: um carro no Q3 da classificação e pontos garantidos no domingo. Em meio às diversas histórias que marcaram o fim de semana em Melbourne, a sólida performance da nova equipe acabou passando relativamente despercebida. Mas, considerando o tamanho do desafio enfrentado pelo projeto que precisou desenvolver não apenas o carro, mas também sua própria unidade de potência e transmissão, o resultado foi mais do que incentivador. Entre os próprios integrantes da equipe, a sensação era de surpresa. “Se alguém me dissesse antes da corrida que estaríamos no Q3 e marcando pontos na estreia, eu perguntaria se a pessoa estava bêbada”, brincou o brasileiro Gabriel Bortoleto após a prova. O potencial da Audi apareceu já no sábado. Bortoleto avançou até o Q3 e colocou o carro entre os dez mais rápidos do grid, algo raro para uma equipe estreante. Mas a classificação poderia ter sido ainda melhor. Ao final do Q2, o carro do brasileiro apresentou um problema na entrada do pit lane e não voltou a funcionar, impedindo sua participação na sessão decisiva. O incidente deixou o piloto parado enquanto tentava reiniciar o sistema. De acordo com o diretor técnico da equipe, James Key, a falha ainda estava sendo analisada após a corrida. Segundo ele, uma reinicialização completa dos sistemas poderia ter resolvido o problema, algo que só ficou claro posteriormente. Mesmo assim, havia a sensação de que a Audi tinha ritmo para brigar por posições ainda melhores no grid. No domingo, a corrida começou com uma pequena ajuda para a equipe alemã. Com o abandono precoce de Oscar Piastri, que bateu ainda na volta de instalação, foi aberta uma posição no pelotão que acabou beneficiando Gabriel Bortoleto. Bortoleto, porém, não teve uma largada ideal e acabou perdendo alguns lugares nas primeiras curvas. Com ritmo competitivo e disputas diretas ao longo da prova, o brasileiro recuperou terreno e terminou em nono lugar, garantindo os primeiros pontos da Audi na Fórmula 1. Para o piloto, o resultado simboliza o início de uma nova fase. “A equipe trabalhou muito duro durante todo o inverno para colocar esse carro na pista. É apenas o começo de uma longa jornada, mas começar pontuando é algo extremamente positivo.” A diferença em relação ao início da temporada anterior também ficou evidente. Em 2025, quando corria pela Sauber, lutar por pontos era algo raro. “Mesmo fazendo boas corridas no ano passado, muitas vezes você terminava longe da zona de pontuação. Agora, poder brigar por pontos já na primeira corrida é muito especial”, afirmou. Ainda assim, Bortoleto reconhece que a equipe ainda está distante das potências da categoria, como a Mercedes. “Não é agradável quando você leva volta de uma equipe dessas. Mas essa é a realidade no momento. Vamos trabalhar para diminuir essa diferença.” Enquanto Bortoleto celebrava um resultado histórico, a outra metade da equipe viveu um fim de semana frustrante. O alemão Nico Hülkenberg sequer conseguiu largar. Seu carro parou na última curva da volta de reconhecimento para o grid, e os mecânicos correram para recuperá-lo. Ao empurrar o carro de volta para a posição de largada, a equipe acabou infringindo o regulamento, o que obrigou o piloto a iniciar a corrida dos boxes. No entanto, novos problemas impediram que ele deixasse a garagem. O chefe da equipe, Jonathan Wheatley, explicou que a equipe perdeu completamente a telemetria do carro. “Foi um problema relacionado à telemetria”, confirmou Key. “Não temos ideia de por que aconteceu justamente quando estávamos saindo dos boxes. Depois, tivemos um problema de vazamento de fluido no grid. Novamente, não sabemos ao certo o motivo, se foi algo relacionado ao procedimento, se foi azar, se houve algum problema nas voltas de aquecimento. Há alguns problemas que infelizmente, não tivemos tempo de consertá-los.” Apesar do infortúnio, o chefe de equipe se mostrou parcialmente satisfeito com a estreia da Audi em Melbourne. “Acho que foi uma primeira corrida muito encorajadora para a equipe. Um momento histórico, um carro da Audi na F1 marcando pontos nesta primeira corrida. Sinto o paradoxo de o outro piloto não ter tido a chance de largar. Mas, no geral, acho que podemos sair de cabeça erguida e dizer que é um bom começo para a nossa jornada.” Apesar da estreia animadora, o projeto da Audi ainda enfrenta obstáculos importantes, principalmente no desenvolvimento da unidade de potência. O responsável pelo programa de motores da equipe, Mattia Binotto, já admitiu que o motor ainda precisa evoluir em termos de potência. A situação é agravada por um fator estrutural: a Audi é a única equipe a utilizar seu próprio motor neste momento. Enquanto isso, fabricantes rivais contam com múltiplos times coletando dados e acelerando o desenvolvimento de seus motores, como acontece com as unidades da Mercedes e da Ferrari, além do novo projeto Red Bull Ford. Isso significa que a Audi terá menos quilometragem e menos informações para acelerar a evolução do equipamento. Mesmo com os desafios e o abandono de um dos carros, o sentimento dentro da equipe após a corrida era de otimismo. “Se alguém tivesse me oferecido um nono lugar antes da corrida, eu teria aceitado na hora”, resumiu Wheatley. Pontuar logo na estreia pode não transformar imediatamente a Audi em protagonista da Fórmula 1. Mas, para um projeto que ainda está dando seus primeiros passos, o resultado em Melbourne representa um sinal claro de que a equipe pode ser competitiva mais rápido do que muitos imaginavam.