GPA diz que Casas Bahia vem cobrando R$ 170 milhões, é “inflexível” e rede não pode pagar
11 Mar, 2026
O GPA informa em seu pedido de recuperação extrajudicial , obtido pelo Valor , que o esgotamento das discussões judiciais a respeito de antigas obrigações contratuais de pagamento aumentaram a pressão sobre o caixa da companhia. Leia também: Análise: Por que o GPA chegou ao ponto de pedir recuperação extrajudicial? GPA pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 4,5 bilhões Exclusivo: GPA demite diretoria antes da recuperação extrajudicial O mais relevante exemplo desses casos é a cobrança que a varejista “vem sofrendo do grupo Casas Bahia”, afirma, em razão de obrigações contratuais assumidas na combinação de negócios entre a empresa e a Casas Bahia. Como o Valor antecipou na semana passada, o GPA perdeu em dezembro processo arbitral relacionado a obrigações trabalhistas e cíveis assumidas da antiga Globex, hoje Casas Bahia, quando comprou a rede, em 2009. Tratava-se de saldo referente a indenização por perdas e danos. Em dezembro, houve publicação da sentença em uma das arbitragens, em formato definitivo, para pagamento de cerca de R$ 170 milhões, e que antes era passivo classificado como dívida de longo prazo. “Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata”, disse o GPA à Justiça. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença que tramita na 3a Vara Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem, buscando a satisfação desse crédito. Após decisão da Justiça determinando o pagamento, a GPA tem prazo até dia 11 de março de 2026 para fazê-lo. Mas a rede alega ter problema para fazer esse pagamento. “Hoje, na data do protocolo deste procedimento, a companhia não tem condições de realizar o pagamento sem interromper as suas operações. Assim, sem a proteção legal conferida por este processo de recuperação extrajudicial, estaria sujeita a atos de constrição patrimonial, o que agravaria significativamente a pressão sobre o seu caixa”, diz. Procurada, a Casas Bahia ainda não se manifestou. A Casas Bahia entrou em recuperação extrajudicial em 2024, já saiu desse processo, mas passa por uma fase de transformação de seu negócio ainda em andamento. A ação do GPA obtida pela reportagem foi distribuída para a 3a Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Mais despesas No pedido judicial, o GPA ainda informa que, neste ano, caso não consiga renegociar os termos e condições com os credores financeiros de sua dívida, a companhia teria que arcar em 2026 com quase R$ 2,1 bilhões em despesas financeiras e outros R$ 370 milhões em obrigações contratuais, entre pagamento de juros, amortização de principal, multas, penalidades e outras estipulações contratuais. “Não é preciso de muito para concluir que a geração de caixa atual, da ordem de R$ 699 milhões, será insuficiente para arcar com todos esses pagamentos”, diz a empresa. O total do passivo não corrente atualizado da rede é de R$ 4,5 bilhões, como informou hoje em fato relevante. Além disso, a empresa disse que houve um aumento no custo anual de fianças e garantias para suspender os atos de cobranças nas contingências tributárias. E esse valor dobrou de R$ 125 milhões em 2024 para R$ 250 milhões em 2025.