CEO da IndiGo renuncia após milhares de voos cancelados afetarem imagem e lucros
11 Mar, 2026
Pieter Elbers, executivo-chefe (CEO) da IndiGo, a maior companhia aérea da Índia, renunciou ao cargo na terça-feira, com efeito imediato, alguns meses depois de a empresa ter entrado no centro de uma crise devido a cancelamentos em massa causados pela escassez de pilotos. A IndiGo, que detém cerca de 64% do mercado doméstico, informou em comunicado à bolsa de valores que o cofundador e diretor-geral Rahul Bhatia assumirá o comando até a nomeação de um novo CEO. Bhatia afirmou em comunicado que sente um "profundo senso de compromisso e responsabilidade pessoal para com a nossa nação e para com os clientes, funcionários, acionistas e todas as demais partes interessadas da companhia aérea". "Ao priorizar a cultura, a excelência em serviços e a confiança das partes interessadas em suas operações, a IndiGo continuará a aprimorar seu foco estratégico em servir a Índia e seu povo com uma companhia aérea administrada profissionalmente, operacionalmente confiável e respeitada globalmente", acrescentou. A saída de Elbers ocorre após um período turbulento na IndiGo. Os problemas começaram no início de dezembro, quando as operações foram desorganizadas devido às dificuldades da companhia aérea em alocar os pilotos de acordo com as novas regras de descanso que entraram em vigor em 1o de novembro para reduzir a fadiga da tripulação. O fiasco levou ao cancelamento de pelo menos 4.500 voos, deixando dezenas de milhares de passageiros retidos. As novas regulamentações estenderam o período noturno — que começa à meia-noite — das 5h às 6h, além de restringir os turnos noturnos consecutivos a dois. O colapso não apenas gerou um debate mais amplo sobre o tratamento dispensado aos pilotos e comissários de bordo na Índia, impactando a imagem da IndiGo, como também afetou os lucros, que despencaram 78% no período de outubro a dezembro, para 5,5 bilhões de rúpias (US$ 60 milhões). A IndiGo sofreu um prejuízo extraordinário de 5,77 bilhões de rúpias relacionado à interrupção, valor que inclui uma multa de 222 milhões de rúpias aplicada pela agência reguladora da aviação. Elbers havia declarado em uma teleconferência sobre resultados após as interrupções que "o evento ficou aquém dos padrões que estabelecemos para nós mesmos e para nossos clientes". Elbers, que ingressou na IndiGo após quase oito anos como CEO da companhia aérea holandesa KLM, priorizou a expansão internacional, preparando o terreno para uma competição mais acirrada com rivais regionais, incluindo a segunda maior companhia aérea da Índia, a Air India. "Na minha opinião, a IndiGo é uma marca excelente e muito respeitada na Índia", disse Elbers ao “Nikkei Asia”. "Mas fora da Índia, a percepção da companhia aérea não é nem positiva nem negativa. É simplesmente desconhecida." Atualmente, a IndiGo opera voos para quase 80 destinos internacionais, incluindo Europa, Reino Unido, Estados Unidos e China. Após Elbers assumir o comando, a Indigo fez um pedido de 500 aeronaves de corredor único da Airbus em 2023, seguido por outro pedido de 30 aeronaves de corredor duplo — com previsão de compra de mais 70 — no ano seguinte, visando voos de longa distância. Elbers afirmou em sua carta de demissão que decidiu deixar o cargo por motivos pessoais e solicitou que o aviso prévio fosse dispensado. "Caso a empresa assim deseje, obviamente estarei disponível para qualquer transição ou mudança de gestão", disse ele em sua carta de demissão a Bhatia.