Iron Lung é ousado mas não entrega o que promete

admin
12 Mar, 2026
Iron Lung (2026) é a estreia de Mark Edward Fishbach (Markiplier) como diretor, roteirista e ator. O filme é baseado no videogame homônimo lançado em 2022 por David Szymanski. A narrativa se passa após o “Arrebatamento Silencioso”, evento misterioso que causou todas as estrelas e maior parte dos seres humanos a desaparecerem. O enredo gira em torno de Simon (Fishbach), um prisioneiro forçado a explorar um oceano de sangue em uma lua distante à procura de alguma esperança para o que resta da humanidade. Preso em um submarino improvisado, Simon entra em conflito com o meio ambiente hostil, criaturas alienígenas e sua própria psique. A obra inteira se passa dentro do submarino, com exceção de alguns flashbacks ao longo da trama. Esta escolha criativa foi duvidosa para a primeira produção de um diretor, sendo que o que havia de visualmente interessante sobre o ambiente foi esgotado nos primeiros 15 minutos. Fora isso, o oceano de sangue rende ótimos visuais, mas só ganha foco no final do filme. Somando a isso, há uma sequência de cenas de tempo considerável em que a luz do submarino se apaga. O resultado é um breu confuso no qual não é facilmente possível discernir o que o protagonista está fazendo. Simon registra fotografias através de um aparato de seu submarino para se guiar nas profundezas do mar de sangue. Os visuais dos objetos que o personagem encontra no fundo do oceano são muito bem estilizados, com ossos grotescos de vida alienígena e cavernas subterrâneas que parecem nunca acabar. O que é apresentado do mundo afora para o protagonista dá ao filme uma atmosfera hostil e violenta, casando muito bem com o conceito da obra. A premissa é original e interessante, mas o filme não consegue sustentar um enredo bem construído a partir dela. Grande parte da narrativa é composta por cenas em que Simon realiza as seguintes ações: ele pilota o submarino, registra uma foto para saber onde está situado e faz uma marcação em seu mapa. Depois disso, repete a sequência. De novo e de novo. Estas sequências são os piores momentos do filme e é um mistério como não foram cortadas ou, pelo menos, reduzidas em tempo. A atuação de Fishbach é pouco convincente, especialmente pelo fato de que, pela maior parte do filme, está atuando sozinho. O personagem acaba exacerbando a má performance. Simon tem um passado conturbado, afinal, há um motivo para ser um prisioneiro forçado a embarcar nesta missão. Sua história pessoal é traduzida como arrependimento. Este arrependimento é central para o personagem, e também seu único traço forte de personalidade. Iron Lung se esforça para criar sentidos implícitos às suas cenas. Fishbach parece satisfeito em imbuir seu filme de símbolos e metáforas para que a audiência infira que há uma história acontecendo na tela, em vez de entregar aos espectadores uma narrativa satisfatória. A obra conta com diversas cenas de alucinação que demonstram o estado mental de Simon, sem interferir com o enredo de maneira tangível. Dito isso, quando enfrentado com conflito direto e real, o protagonista encontra soluções espertas para seus problemas. A pressão durante momentos tensos é traduzida bem na tela. Além disso, o humor sutil de Iron Lung é um ponto alto da obra. A cena final do filme exibe ótimos efeitos especiais — impressionante inclusive pelo baixo orçamento — e uma conclusão inesperada. Outros personagens contatam Simon através de um rádio. Os diálogos são frequentemente interrompidos por interferência ao sinal, tornando as falas inteligíveis. Este efeito não parece totalmente proposital, com pontos importantes da trama se perdendo nestas quebras de diálogo. O único jeito de entender totalmente o que os personagens têm a dizer é assistindo o filme com legendas. Mesmo com seus problemas, Iron Lung é uma tentativa honesta de subverter o paradigma regente da indústria de filmes. O filme é uma produção independente e milionária, sem filiações com Hollywood. A primeira produção de Fishbach é ousada, mas é preciso aprender a engatinhar antes de correr. O post Iron Lung é ousado mas não entrega o que promete apareceu primeiro em Bem Paraná .