Como uma câmera descartável e um “processo secreto” de Curitiba chegaram ao Oscar?

admin
12 Mar, 2026
O Agente Secreto, um dos filmes nacionais mais aclamados do ano, neste domingo, 15, está na disputa mais importante para o cinema: o Oscar. E Curitiba de certa forma estará lá também. Isso porque, parte da divulgação do filme, estrelado pelo ator Wagner Moura – no caso kits de divulgação – levam a assinatura de uma empresa de Curitiba, o Lab Lab Analógico.Onde assistir ao Oscar em Curitiba?Cine Passeio exibe Oscar na fachada com rua fechada para o públicoShopping de Curitiba vai transmitir Oscar nas telas de cinemaO projeto de divulgação de O Agente Secreto surgiu com o contato da Espaço/Z, uma empresa de marketing de divulgação de filmes a pedido da Vitrine Filmes, segundo o laboratorista fotográfico, Vitor Lopes Leite, criador e dono do Lab:Lab. Ele revela que as primeiras reuniões foram realizadas em julho de 2025, mais ainda com poucas informações.“Como tudo neste mercado é bem sigiloso, o que tivemos acesso no início foram apenas a foto principal de divulgação e um teaser, já havia sido transmitido em Cannes, que, inclusive, tinha sido a única exibição do filme até então”, lembra.Leite recorda que esse primeiro contato foi festejado de despertou a veia criativa do grupo. Ele explicou que o projeto, ainda que sigiloso, estava dentro dos produtos e serviços oferecido pelo laboratório analógico. E , deste primeiro contato, já nasceram três ideias de criação: uma câmera retornável, um monóculo e um slide.A câmera idealizada pela equipe de Leite é como aquelas câmeras descartáveis, mas carregada com um filme colorido cinematográfico, mas o mesmo tipo de filme utilizado para filmagens em câmeras de cinema 35mm. Leite revelou que a câmera foi desenvolvida já personalizada com base nas poucas informações que tinham até então. “Desenvolvemos a arte da personalização da câmera com os elementos do orelhão que vimos na foto e do arquivo morto, que vimos em uma cena do teaser”, explicou.Relação entre “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” Já o monóculo e o slide foram feitos segundo uma técnica desenvolvida no próprio Lab.Lab. O serviço é inovador e oferecido apenas pelo laboratório em toda a América Latina. Leite explica que o método é o oposto de digitalizar um filme. “Trata-se de produzir um filme colorido positivo (cromo) com imagens originalmente digitais”, conta.A equipe de marketing do filme enviou ao Lab.Lab, um arquivo digital da foto, ainda em sigilo. “Gravamos esta imagem em uma película fotográfica colorida positiva e revelamos este filme, tendo como resultado a foto antes digital agora em filme fotográfico. Depois é só cortar os frames e montar em molduras de slide e nos monóculos”, conta.Leite explica que todo este processo foi aprimorado em outro projeto, também em parceria com produtores do cinema nacional. Em 2023, o Lab.Lab usou a técnica dos slides no filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. No entanto, para a criação de um objeto para uso em duas cenas, e não em brindes, como caso de O Agente Secreto.O press kit de “O Agente Secreto” que só Curitiba poderia fazerÀ medida que o processo avançava, mais informações foram repassadas. “No processo de finalização destes press kits, já tínhamos mais materiais como o pôster oficial e trailers”, conta. No entanto, a empresa também trabalhou na apresentação do material. Leite conta que para a embalagem do press kit, foram escolhidos sacos de papel craft.A opção pelo papel kraft foi explicada por Leite, como um material que o imaginário comum da atualidade remete a um arquivo morto. “Produzimos dois carimbos que apareceram como elemento do pôster, em referência a censura: Serviço de Censura de Diversões Públicas e o Vetado”, diz.O press kit criado pela Lab.Lab continha uma câmera junto com manual de uso e apresentação do filme, o monóculo e alguns convites para o filme. “Alguns especiais foram também com os slides”, lembra. O kit foi distribuído para alguns influenciadores e artistas como o primeiro contato com o filme O Agente Secreto.Kits foram distribuídos para artistas e influenciadoresAlguns destes kits foram ainda encaminhados ao próprio Kleber Mendonça Filho, a produtora Emilie Lesclaux e os atores Wagner Moura e Alice Carvalho.O projeto de divulgação considerou ainda alguns convites e ingressos recebidos pelo laboratório. “Fizemos um produto que chamado de Kit Secreto, com a mesma embalagem do press kit, mas contendo dois filmes fotográficos que criamos de forma temática, e eram secretos até a compra do cliente”, conta.Leite ressalta que o trabalho envolveu dois kits diferentes. Este último, o Kit Secreto que continha um convite para ver o filme e os filmes fotográficos “Tubarão 500T” e “Recife 250D, foram vendidos com dois filmes fotográficos que vinham com convite de brinde. O kit de divulgação, com câmera, monóculo e convite foi distribuído para as pessoas multiplicadores, como artistas e influenciadores.O post Como uma câmera descartável e um “processo secreto” de Curitiba chegaram ao Oscar? apareceu primeiro em Bem Paraná.