Hacker acessou arquivos de Epstein mantidos pelo FBI, diz agência

admin
12 Mar, 2026
Um hacker estrangeiro acessou há três anos arquivos relacionados à investigação do FBI sobre o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, revelou a agência de notícias Reuters. O que aconteceu Ele teria tido acesso aos arquivos durante uma invasão cibernética ao escritório do FBI em Nova York, no dia 12 de fevereiro de 2023. O caso foi revelado por meio de uma fonte familiarizada com o assunto e por documentos do Departamento de Justiça recentemente publicados. FBI confirmou a intrusão na época, chamando a de "isolada". "O FBI restringiu o acesso do agente malicioso e corrigiu a rede. A investigação continua em andamento, portanto, não temos mais comentários a fornecer neste momento." O ataque ocorreu depois que um servidor do Laboratório Forense de Exploração Infantil do escritório do FBI foi deixado vulnerável. O erro teria sido cometido pelo agente especial Aaron Spivack, que tentava se familiarizar com os complexos procedimentos do FBI para lidar com evidências digitais. O incidente foi descoberto no dia seguinte. Quando o funcionário abriu seu computador, encontrou uma mensagem de texto alertando-o de que sua rede havia sido comprometida. Investigações apontaram que o hacker teria feito uma análise minuciosa de certos arquivos relacionados à Epstein. Não foi divulgado, no entanto, quais arquivos foram acessados, se o hacker baixou os dados, quem era o hacker ou de que país ele era. Spivack teria culpado a própria agência pelo ataque cibernético. Em depoimentos aos investigadores que apuravam seu possível envolvimento, ele afirmou estar sendo usado como "bode expiatório" e que as políticas conflitantes do FBI e as diretrizes falhas em tecnologia da informação eram as culpadas. O hacker estrangeiro não teria percebido que invadiu um servidor policial. O criminoso expressou repulsa pela presença de imagens de abuso infantil no dispositivo e deixou uma mensagem ameaçando entregar o proprietário ao FBI, disse uma fonte ouvida pela Reuters. Não há informações sobre o que teria sido feito com o material relacionado à Epstein. A imprensa americana também não conseguiu apurar se algum esforço foi feito para punir o invasor cibernético. A revelação ocorre em um momento em que o governo dos EUA é pressionado por supostamente não ter divulgado todos os arquivos. Parlamentares acusam a gestão de Donald Trump de ter censurado parte deles ou os mantido em segredo, apesar de uma lei que obrigada a divulgação integral. A administração, no entanto, alega reter parte deles para não comprometer a identidade das vítimas. Sobre o caso Epstein Jeffrey Epstein foi preso pela primeira vez em 2008, quando foi sentenciado a 13 meses de prisão. Na época, os pais de uma menina de 14 anos denunciaram à polícia que o empresário havia abusado sexualmente da garota em sua mansão. Outras possíveis vítimas foram descobertas e foram encontradas fotos de meninas na casa dele. Ele se livrou de pegar prisão perpétua. O bilionário fechou um polêmico acordo que o livrou de ficar encarcerado pelo resto da vida e fez com que ele fosse registrado na lista federal de criminosos sexuais. Enquanto preso, podia sair para trabalhar seis dias por semana. Epstein voltou a ser preso em 2019 acusado de tráfico sexual. Ele foi denunciado por traficar dezenas de meninas, de explorá-las e abusá-las sexualmente. Desse caso, o bilionário se declarou inocente e sempre negou as acusações. Após um mês na cadeia, ele foi encontrado morto na cela, aos 66 anos. A causa da morte divulgada oficialmente foi suicídio. Trechos de documentos do caso Epstein divulgados na imprensa revelaram que famosos e políticos participaram das polêmicas festas do empresário. Personalidades como Leonardo DiCaprio, Cameron Diaz, Cate Blanchett, Bruce Willis, Kevin Spacey, George Lucas e Naomi Campbell, Bill Gates foram citados, além de Trump e Bill Clinton, mas nenhum deles recebeu acusações formais por crimes até aqui. *Com informações da Reuters