Programa destaca papel das florestas na prevenção de enchentes e deslizamentos

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15 Mar, 2026
Foto: DivulgaçãoSul Fluminense – O aumento da frequência de chuvas intensas no estado do Rio de Janeiro tem ampliado a preocupação com deslizamentos de encostas e enchentes, especialmente em municípios da região serrana e do Sul Fluminense. Diante desse cenário, iniciativas de conservação ambiental, como o Programa Produtores de Água e Floresta (PAF), vêm sendo apontadas como estratégias importantes para reduzir riscos e proteger comunidades.Nos últimos meses, cidades da região enfrentaram episódios de chuvas fortes que provocaram alagamentos e danos à infraestrutura urbana. Em janeiro de 2026, por exemplo, o município de Rio Claro registrou mais de 100 milímetros de chuva em cerca de uma hora — volume muito acima do esperado — provocando o transbordamento do rio que corta a cidade e alagamentos em diferentes áreas, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).Além disso, alertas meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) têm indicado risco de chuvas intensas em municípios do Sul Fluminense, como Engenheiro Paulo de Frontin, Miguel Pereira e o próprio Rio Claro, reforçando a necessidade de estratégias de prevenção e adaptação diante das mudanças climáticas.Papel das florestas na proteção do territórioEspecialistas apontam que a presença de áreas florestais exerce papel fundamental na proteção das encostas e na redução dos impactos causados por chuvas intensas. A vegetação ajuda a estabilizar o solo por meio das raízes das árvores, que funcionam como uma espécie de “rede natural”, mantendo a terra mais firme e diminuindo o risco de deslizamentos.A cobertura vegetal também reduz o impacto direto da chuva sobre o solo e favorece a infiltração da água no terreno, diminuindo o escoamento superficial que pode provocar erosões e enchentes.Nesse contexto, o Programa Produtores de Água e Floresta atua na restauração de áreas degradadas, na proteção de nascentes e no incentivo à preservação da vegetação nativa em propriedades rurais. As ações fortalecem a cobertura florestal na Região Hidrográfica II e contribuem para reduzir os impactos provocados por eventos climáticos extremos.Proteção das comunidadesPara o gestor do programa, Gabriel dos Santos Aguiar, biólogo e mestre em Ciências Ambientais e Florestais, investir na conservação ambiental nas regiões serranas significa também ampliar a segurança das comunidades que vivem nesses territórios.“Em uma região marcada por suas serras e comunidades que vivem nelas, investir na conservação e na recuperação dessas áreas significa, também, investir na segurança das comunidades e na proteção do território”, afirmou.Atuação regionalO Programa Produtores de Água e Floresta é uma iniciativa do Comitê Guandu, executada pela AGEVAP, com recursos provenientes da cobrança pelo uso da água na Região Hidrográfica II.Atualmente, o projeto atua em municípios como Vassouras, Miguel Pereira, Mendes, Engenheiro Paulo de Frontin e Rio Claro, promovendo a proteção de nascentes e criando uma rede de apoio entre proprietários rurais participantes e a equipe técnica do programa.Segundo os responsáveis pelo projeto, além de contribuir para a produção de água e para a conservação da biodiversidade, o fortalecimento da cobertura florestal tem se mostrado um aliado importante na redução de riscos ambientais, especialmente em regiões suscetíveis a deslizamentos e enchentes