Após Corinthians declarar R$ 150 milhões a menos, agente de Yuri Alberto quer suspender RCE

admin
19 Mar, 2026
O empresário André Cury, que representa o atacante Yuri Alberto e vários outros jogadores, foi à Justiça novamente reclamar sobre inconsistências no plano de pagamento apresentado pelo Corinthians em seu RCE (Regime de Centralização de Execuções) e homologado pelo tribunal. O protesto veio após uma petição em que o perito judicial destacou que o clube declarou uma receita R$ 150 milhões menor do que o verdadeiro. A defesa do empresário, feita pela advogada Adriana Cury, reclamou sobre divergências dos números na lista de rateio, como a possibilidade de que inicie sem os registros corretos, inconsistências nas planilhas de credores, créditos listados que foram suspensos pelo TJ, entre outros. Cury quer suspender o início dos pagamentos até que essas irregularidades sejam sanadas. "A administradora judicial identificou divergência relevante entre a receita informada pelo devedor e a movimentação efetivamente verificada no fluxo de caixa, além de reconhecer a ausência de documentos essenciais à conferência das informações prestadas, como balancetes analíticos, extratos bancários e comprovantes de receitas e despesas. Tal cenário evidencia que a base financeira utilizada não se mostra suficientemente auditável nem confiável, o que impede o prosseguimento do plano de pagamento", disse a defesa de Cury. "Não se pode admitir que, a despeito desse cenário, a operacionalização do rateio prossiga diante das divergências e omissões apontadas, somadas ao reiterado descumprimento, pelo devedor, da obrigação de apresentar os documentos exigidos pela decisão que fixou as diretrizes do plano", continuou o empresário. Entre as reclamações de Cury, na lista colocada pelo perito será usado o valor transferido para a RCE no valor de R$ 14 milhões de um processo de Cury como parte do rateio aos demais credores. Além disso, essa dívida no rateio foi listada como R$ 300 mil, e não R$ 14 milhões. Ou seja, a lista tratada como final não é confiável, além do que o crédito de Cury não foi contemplado. Além desta constatação, apontou que há lançamento na planilha do administrador de crédito inexistente em nome de outro credor. No total, a dívida com o empresário estaria na faixa dos R$ 40 milhões. O agente quer que o RCE seja suspenso até que as inconsistências sejam sanadas, para evitar injustiças. O clube deveria iniciar o pagamento da primeira parcela neste mês de março. "Diante de todo o exposto, é de rigor que não seja realizado qualquer pagamento com base no plano de rateio apresentado antes do saneamento das inconsistências acima apontadas", disse Cury. O plano de pagamento homologado pela Justiça prevê a quitação dos débitos com um percentual variável das receitas do clube, com mínimo obrigatório de 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro, além de propor análise anual e proporção de 30% para credores preferenciais e 70% para credores comuns, entre outras coisas. Em petição anexada no processo pelo perito nomeado pelo tribunal para cuidar do caso, foi mostrado que o Corinthians declarou entradas de exatos R$ 64.202.368,75 em fevereiro, enquanto a análise do administrador judicial é que o clube recebeu R$ 213.414.738,29. Portanto, existe, no total, uma diferença de R$ 149.212.369,37 entre o que foi declarado e o que de fato entrou nas contas alvinegras. O administrador pediu que o clube fosse intimado a se manifestar sobre essas informações, além de disponibilizar os recursos decorrentes de vendas de atletas para a realização de leilão reverso. Caso contrário, essas verbas entrariam no pagamento do mês seguinte. Segundo documentos anexados pela perícia, o clube possuía, no dia 24 de fevereiro, R$ 20.263.768,87 em suas contas bancárias. O profissional fez um plano de rateio entre os credores que devem começar a receber a partir do início dos pagamentos, colocando uma dívida imediata de cerca de R$ 226 milhões. O valor é inferior aos cerca de R$ 700 milhões totais listados no decorrer do RCE como "perdas prováveis". Procurado pela ESPN, o Corinthians disse que não foi formalmente intimado sobre a manifestação e apontou "que trata-se de valor gerencial de caixa que será conciliado à contabilidade, conjuntamente ao administrador judicial".