Irã insiste em disputar a Copa do Mundo, mas longe dos Estados Unidos
19 Mar, 2026
A seleção do Irã segue com sua preparação para a Copa do Mundo e não pretende abandonar a disputa, mesmo diante da possibilidade de não viajar aos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta quarta-feira (18) pelo presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj. O Irã foi uma das primeiras seleções a garantir vaga no torneio, mas sua participação passou a ser questionada após o agravamento do conflito entre a República Islâmica e os Estados Unidos, iniciado no fim de fevereiro. A Copa do Mundo será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, com sedes nos Estados Unidos, México e Canadá. Leia Mais Irã continua preparação para a Copa, veta EUA e cobra Fifa por mudança Irã não enviou notificação oficial sobre desistência da Copa, diz AFC Irã não vai jogar a Copa do Mundo? Entenda impactos da guerra no esporte A equipe iraniana, conhecida como Team Melli, está programada para disputar todas as partidas da fase de grupos em território norte-americano. No entanto, Taj afirmou na segunda-feira que a federação local negocia com a Fifa a transferência desses jogos para o México. Como parte da preparação, o Irã enfrentará a Nigéria no dia 27 de março e a Costa Rica quatro dias depois, em Antalya, na Turquia, em um torneio amistoso com quatro seleções. A competição precisou ser transferida da Jordânia devido ao conflito no Oriente Médio. “A seleção nacional está realizando um período de treinos na Turquia e também disputará dois amistosos no país”, afirmou Taj, em declaração divulgada pela agência Fars. “Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não vamos boicotar a Copa do Mundo”, acrescentou o dirigente. Taj deu as declarações ao recepcionar, na fronteira com a Turquia, as jogadoras da seleção feminina iraniana, que retornaram ao país após uma longa viagem desde a Austrália. México está disposto a sediar jogos do Irã na Copa do Mundo, diz presidente | CNN PRIME TIME A delegação feminina, que participou da Copa da Ásia, recebeu oferta de asilo do governo australiano por preocupações com a segurança no Irã. Sete integrantes aceitaram inicialmente, mas apenas duas permaneceram no país. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia incentivado a Austrália a conceder asilo às atletas e posteriormente afirmou que, embora a seleção masculina iraniana fosse bem-vinda para jogar no país, poderia não ser apropriado em termos de “vida e segurança”. Trump ressaltou depois que eventuais ameaças aos jogadores não partiriam dos Estados Unidos, mas Taj — ex-integrante da Guarda Revolucionária do Irã — utilizou a declaração como argumento para solicitar a mudança do local das partidas. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou na terça-feira que o país está disposto a receber os jogos do Irã contra Nova Zelândia, Bélgica e Egito em junho. A decisão final, no entanto, cabe à Fifa. Em nota, a entidade máxima do futebol informou que mantém diálogo com a federação iraniana, mas destacou que “espera que todas as seleções participantes disputem a competição conforme a tabela divulgada em 6 de dezembro de 2025” . Já o presidente para a Ásia-Pacífico do sindicato internacional de jogadores, a FIFPRO, Beau Busch, afirmou que é dever da Fifa garantir a segurança de todos os envolvidos no torneio. “A Fifa tem a responsabilidade institucional de proteger os direitos humanos”, disse Busch à Reuters . “O fundamental é que a entidade realize uma avaliação abrangente de impacto em direitos humanos e assegure que todos os participantes da Copa do Mundo — jogadores e torcedores — estejam seguros, com quaisquer riscos devidamente identificados e mitigados.” Irã não vai jogar a Copa do Mundo? Entenda impactos da guerra no esporte | Fora da Ordem