Fifa é denunciada na Europa por preços de ingressos da Copa e práticas "abusivas"
24 Mar, 2026
A Fifa foi denunciada à Comissão Europeia por entidades de torcedores e consumidores que contestam os preços dos ingressos e os métodos de venda da Copa do Mundo na América do Norte. A Football Supporters Europe (FSE), em parceria com a Euroconsumers, formalizou nesta terça-feira (24) a reclamação alegando que a entidade máxima do futebol estaria abusando de sua posição dominante no mercado. O caso foi apresentado com base no artigo 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, que trata do abuso de monopólio. Segundo as organizações, a Fifa exerce controle total sobre a comercialização dos ingressos e utilizaria esse poder para impor condições consideradas prejudiciais aos consumidores. MODELO DE VENDA Entre os principais pontos questionados estão os preços considerados elevados e o uso do modelo de precificação dinâmica, em que os valores variam de acordo com a demanda. Embora ingressos mais baratos sejam anunciados a partir de cerca de US$ 60, as entidades afirmam que essas opções são, na prática, escassas e de difícil acesso. Outro aspecto criticado é o uso de técnicas conhecidas como "dark patterns", que criam sensação de urgência e pressionam o consumidor a finalizar a compra rapidamente. De acordo com a denúncia, esse conjunto de práticas contribui para excluir parte significativa do público. Além disso, taxas de revenda que podem chegar a 15% elevam ainda mais o custo final para os torcedores. PRESSÃO POLÍTICA A denúncia surge em um contexto de crescente pressão sobre a Fifa na Europa. O comissário europeu Glenn Micallef também manifestou preocupação com a organização da Copa de 2026, destacando fatores externos ao futebol. "Como um dos países-sede do maior evento esportivo do mundo está envolvido em uma guerra, é legítimo exigir garantias", afirmou ao site Politico. Micallef ainda criticou a parceria da Fifa com o chamado "Board of Peace", vista por autoridades europeias como uma tentativa de contornar a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU). As entidades envolvidas defendem que a venda de ingressos deve seguir regras de concorrência do mercado europeu e citam decisões recentes, como o caso da Superliga, que impuseram limites ao poder de organizações como Fifa e Uefa. Caso a Comissão Europeia avance com a análise, a entidade pode ser alvo de investigação formal e obrigada a adotar medidas como maior transparência nos processos e pos