Surfistas acusam WSL de descumprir regra por vagas em etapa no Brasil
24 Mar, 2026
Resumo A etapa do QS 6.000 de Imbituba, que começa nesta quarta-feira, abre a temporada 2026/27 da divisão regional da WSL cercada de críticas — principalmente por parte de surfistas mulheres — em relação ao número de vagas disponibilizadas no evento. Principal competição do QS sul-americano — a terceira divisão da WSL —, o evento é o mais importante em pontuação na corrida por vagas no Challenger Series, a divisão de acesso à elite. Ainda assim, o campeonato apresenta um cenário que diverge do previsto no livro de regras da própria entidade e gerou reação pública de atletas nas redes sociais. O que diz o regulamento Na seção 2.08 ("Formatos"), a WSL estabelece os critérios para eventos desse nível. No masculino, competições QS 6.000 devem permitir a participação mínima de 128 surfistas, com pelo menos cinco dias de janela. No feminino, o regulamento determina que eventos QS 6.000 devem permitir a participação mínima de 72 atletas, com ao menos três dias de competição. Ou seja, a regra não obriga que o evento tenha esse número de inscritos, mas estabelece que a organização deve permitir inscrições até esse limite mínimo. Números em Imbituba Na prática, porém, os números registrados em Imbituba são inferiores a esse patamar. No masculino, há 96 atletas confirmados, além de oito na lista de espera. No feminino, o cenário é mais restrito: são 32 atletas confirmadas e 26 na lista de espera, número distante das 72 vagas que deveriam estar disponíveis para inscrição. Críticas de surfistas A principal insatisfação vem do feminino, onde atletas apontam falta de oportunidade em um evento considerado chave para a temporada. Vemos hoje uma crescente no número de atletas competindo no circuito, o que é extremamente positivo. Durante muitos anos, o surfe feminino ficou estagnado pela falta de eventos e oportunidades reais. Quando temos um número tão limitado de vagas em um evento tão importante, isso vai na contramão de tudo o que vem sendo feito em prol da evolução e inclusão do surfe feminino Monik Santos A surfista Maya Carpinelli também destacou o impacto direto da limitação. "Infelizmente, vai ser um evento com apenas 32 vagas na categoria feminina, enquanto temos 56 meninas inscritas. Triste ver que o esporte só está crescendo, mas muitas não vão ter a oportunidade de competir." Já Mayara Zampieri chamou a atenção para a composição das vagas. "Dentro das 32 vagas do feminino, quatro são sociais e quatro convidadas, ou seja, apenas 24 definidas pelo ranking, deixando 26 meninas de fora." A brasileira Isabela Saldanha também fez críticas à condução do processo e ao impacto direto na carreira das atletas. Meninas que vão perder um ano inteiro de competição por um erro da organização que prioriza meninas que vão competir uma etapa e não prospectam carreira dentro da liga. Meninas do Chile, Equador, Peru e de vários estados do Brasil, que tinham chances reais, acabaram ficando de fora e foram avisadas três dias antes. Muitas, como eu, fizeram toda a programação para estar aqui e foram surpreendidas Falta de resposta da organização Segundo apuração do UOL, diversas surfistas tentaram contato com os responsáveis pela organização do evento para entender os critérios adotados, mas receberam respostas vagas. Em alguns casos, após insistência, os contatos deixaram de ser respondidos, aumentando a insatisfação entre as atletas. "Vagas sociais" não aparecem no regulamento Outro ponto que gerou questionamentos foi a presença das chamadas "social entries" — ou vagas sociais — entre os inscritos: oito no masculino e quatro no feminino. O termo, no entanto, não aparece em nenhum momento no livro de regras da WSL. Segundo apuração do UOL, atletas foram informados pela WSL Brasil de que essas vagas estariam ligadas a contratos com patrocinadores do evento. Ainda assim, mesmo desconsiderando essas entradas, o número total de atletas segue abaixo do mínimo que deveria estar disponível para inscrição, especialmente no feminino. Flexibilidade não inclui número de vagas O regulamento prevê flexibilizações para a organização, mas em pontos específicos. Segundo a WSL, o representante do tour, em conjunto com o juiz principal, pode alterar o formato do evento e o tempo das baterias para garantir a realização da competição em condições adversas. O livro de regras, no entanto, não menciona qualquer possibilidade de redução no número de vagas disponibilizadas. WSL ainda não se posicionou O UOL entrou em contato com a WSL Brasil para esclarecer os motivos da divergência entre o livro de regras e o que está sendo praticado no evento, além do uso das chamadas "social entries", mas não obteve resposta até a publicação deste texto. Quando a entidade se manifestar, o texto será atualizado. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.