Gigantes do streaming alegam que Google, Amazon e Samsung controlam tudo o que você vê
25 Mar, 2026
Emissoras europeias de streaming lançaram, em março de 2026, uma ofensiva formal contra Google, Amazon e Samsung na União Europeia. A Association of Commercial Television (ACT) pediu que as plataformas de smart TV dessas empresas sejam enquadradas na Lei de Mercados Digitais (DMA) como “gatekeepers”. O grupo alega que as big techs já controlam cerca de 60% do mercado europeu de TVs conectadas e decidem o que milhões de usuários assistem. O pedido foi motivado pela concentração crescente do mercado: as plataformas Tizen OS (Samsung), Android TV (Google) e Fire TV OS (Amazon) juntas dominam mais da metade das smart TVs na Europa. Para as emissoras, esse domínio já é suficiente para restringir a liberdade de escolha dos usuários de streaming. Leia mais: - Disney+ lança feed de vídeos curtos estilo TikTok - Chega de indecisão! Essa ferramenta transforma o YouTube em TV a cabo - Amazon lança Prime Video Ultra nos EUA; versão sem anúncios custa US$ 4,99 QUEM ESTÁ POR TRÁS DA QUEIXA A coalizão reúne nomes de peso do setor audiovisual mundial. A ACT é composta por algumas das maiores empresas de mídia do planeta, todas unidas pela mesma preocupação com o poder das big techs sobre a distribuição de conteúdo: - Canal+ - Disney - ITV - NBCUniversal - Paramount+ - RTL - Sky - TF1 Groupe - Warner Bros. Discovery O argumento central do grupo é que “um número limitado de operadores está ganhando capacidade crescente de moldar resultados para milhões de usuários e empresas”. Na prática, isso significa que a plataforma que roda na sua TV pode favorecer seus próprios serviços de streaming — como o Prime Video na Fire TV ou o YouTube no Android TV — em detrimento de concorrentes independentes. O QUE É O DMA E POR QUE ELE IMPORTA A Lei de Mercados Digitais (DMA) da União Europeia foi criada para coibir abusos por parte de grandes plataformas tecnológicas. Veja como ela funciona na prática: - Designação de gatekeepers: empresas com grande poder de mercado recebem obrigações especiais - Proibição de autofavorecimento: as plataformas não podem priorizar seus próprios serviços nas buscas ou recomendações - Liberdade de portabilidade: os usuários devem poder migrar livremente para serviços concorrentes - Punição severa: descumprir as regras pode gerar multa de até 10% do faturamento anual global Alphabet (Google), Amazon, Apple, ByteDance, Meta e Microsoft já foram formalmente designados como gatekeepers pelo DMA. O que as emissoras pedem agora é que as divisões de smart TV dessas mesmas empresas também sejam enquadradas na lei, já que até agora operam em uma zona regulatória sem fiscalização equivalente. PARTICIPAÇÃO DE MERCADO DAS PLATAFORMAS DE SMART TV NA EUROPA As três plataformas no centro da disputa dominam juntas mais da metade do mercado europeu de televisores conectados: | Plataforma | Empresa | Serviço de streaming próprio | Market share | |---|---|---|---| | Tizen OS | Samsung | Samsung TV Plus | 24% | | Android TV | YouTube / YouTube TV | 23% | | | Fire TV OS | Amazon | Prime Video | 13% | Cada uma dessas empresas possui seu próprio serviço de streaming pré-instalado nos dispositivos, o que, segundo as emissoras, cria uma vantagem competitiva injusta e dificulta a visibilidade de serviços de terceiros. ASSISTENTES DE VOZ TAMBÉM NA MIRA Além das plataformas de smart TV, o grupo de emissoras quer que assistentes virtuais também entrem no escopo do DMA. Os sistemas citados no pedido são: - Amazon Alexa — presente em caixas de som inteligentes e TVs Fire TV - Google Gemini — integrado a dispositivos Android e smart TVs - Siri (Apple) — disponível em iPhones, iPads e Apple TV O argumento é que esses sistemas funcionam como pontos de acesso ao conteúdo em celulares, caixas de som e até sistemas de entretenimento em automóveis, influenciando o que as pessoas consomem sem qualquer supervisão regulatória. A ACT alertou que “a ausência de designação dos assistentes virtuais cria um vazio regulatório”, permitindo que ferramentas de IA se tornem controladoras de fato do acesso à mídia. A Comissão Europeia já estuda incluir chatbots como o ChatGPT na lei, e uma decisão é esperada em breve. UM CONFLITO QUE JÁ AFETOU MILHÕES DE USUÁRIOS O embate entre emissoras e plataformas não é apenas teórico. Em outubro de 2025, uma briga contratual entre Disney e YouTube TV deixou mais de 9 milhões de assinantes sem acesso a canais como ESPN e ABC por 15 dias. O impasse só foi resolvido em 14 de novembro de 2025, após a Disney estimar prejuízo de aproximadamente US$ 64,5 milhões em receita perdida. O episódio expôs de forma concreta o poder que as plataformas de streaming e distribuição têm sobre o acesso ao conteúdo — e serve como argumento central para as emissoras europeias justificarem a necessidade de regulação mais firme. Para os consumidores, o risco é simples: quando gigantes brigam, quem paga a conta é o usuário que fica sem o canal favorito na tela. Via: androidauthority - Categorias Participe do grupo de ofertas do Mundo Conectado Confira as principais ofertas de Smartphones, TVs e outros eletrônicos que encontramos pela internet. Ao participar do nosso grupo, você recebe promoções diariamente e tem acesso antecipado a cupons de desconto. Entre no grupo e aproveite as promoções