Família de PM faz abaixo-assinado pedindo que tenente-coronel perca patente
28 Mar, 2026
Resumo Os pais da soldado Gisele Alves Santana, 32, pediram para que a população assine um abaixo-assinado da família que solicita a perda de patente e expulsão da Polícia Militar do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, 53. Ele está preso e é réu pelo feminicídio de Gisele e fraude processual — crimes que nega ter praticado. O que aconteceu "Gostaríamos de pedir a todos um apoio" para assinar o abaixo-assinado, disse o pai de Gisele, José Simonal de Santana. Ele explicou que "quanto mais assinaturas, melhor". "Eu só tenho que agradecer a todos e pedir esse apoio. Obrigada a todos, que Deus abençoe", concluiu, em vídeo gravado ao lado da mãe da soldado, Marinalva. Até a publicação desta reportagem, 4.814 pessoas haviam assinado a petição. Além de pedir a expulsão de Rosa Neto da corporação e da perda de posto e patente, o abaixo-assinado (veja aqui) solicita a apuração rigorosa do caso. Este caso ultrapassa a dor individual. Ele expõe um problema maior: a necessidade de enfrentar com seriedade qualquer forma de violência, inclusive psicológica, abuso de poder e condutas incompatíveis com os princípios da Polícia Militar, como honra, disciplina, respeito à vida e responsabilidade. (...) Este não é um pedido de julgamento antecipado, mas de justiça, responsabilidade e respeito. Por Gisele. Por sua família. Por todas as mulheres. Texto na página do abaixo-assinado Rosa Neto pediu afastamento das suas funções na corporação após a morte da esposa. Antes da solicitação, ele estava lotado no CPA/M-5 (Comando de Policiamento de Área Metropolitana Cinco), responsável pela região oeste de São Paulo. Em fevereiro, a remuneração mensal bruta do tenente-coronel foi de R$ 28.946,81. De acordo com o Portal da Transparência do Governo de São Paulo, ele recebeu R$ 2.995,43 de abono permanência e outras indenizações, sendo o total líquido de R$ 15.092,39. Processo pode levar à expulsão de Rosa Neto Comando-Geral avaliará IPM e pode abrir Conselho de Justificação (procedimento administrativo disciplinar) contra Rosa Neto. O Inquérito Policial Militar será analisado pelo Comando-Geral após conclusão e envio dele ao Poder Judiciário. O IPM que apura o caso da morte de Gisele está em fase final, segundo a SSP-SP (Secretária da Segurança Pública). Conselho de Justificação pode resultar na perda do posto e patente de Rosa Neto, com o desligamento do oficial dos quadros da instituição. Esse procedimento é independente da esfera penal. "A Polícia Militar reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina e a preservação dos valores que regem a atividade policial militar", concluiu a SSP-SP em nota. Advogado de Rosa Neto afirmou que "a defesa irá se manifestar nos autos" sobre o pedido da família e o procedimento administrativo. A resposta foi dada ao UOL pelo advogado do tenente-coronel, Eugênio Malavasi. Relembre o caso Gisele morreu após ser encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido em São Paulo. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, mas a morte foi constatada às 12h04 do mesmo dia. Em depoimento, Rosa Neto afirmou que foi até o quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar. O homem afirmou ter dito que "ainda a amava, mas entendia ser melhor a separação porque o relacionamento não estava funcionando". Depois disso, segundo ele, a esposa se levantou de forma "exaltada", o mandou sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida. Tenente-coronel declarou ter ouvido um barulho, que pensava ser uma porta batendo, cerca de um minuto após entrar no banho. Ao abrir a porta, teria visto Gisele no chão, ferida na cabeça e segurando a arma de fogo. Ele disse ter acionado o resgate, a Polícia Militar e ter ligado para um amigo que é desembargador. Mãe da vítima disse à polícia que o relacionamento da filha com Rosa Neto era "extremamente conturbado". Ela afirmou que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta, que proibia a vítima de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas. O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas o registro foi alterado pela Polícia Civil para "morte suspeita" após depoimento da mãe da vítima. A ocorrência foi investigada pelo 8o Distrito Policial (Brás) e pela Corregedoria da Polícia Militar. Rosa Neto foi preso em São José dos Campos (SP) no dia 18 de março. Desde então, está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. Nesta semana, a Justiça de São Paulo negou o pedido liminar (medida provisória e urgente) para soltar o tenente-coronel. Andamentos Corpo de Gisele foi exumado no dia 6 de março e passou por nova perícia e exames complementares. Laudo apontou que o corpo da soldado tinha "lesões contundentes" na face e na região cervical provocadas por pontas de dedos e escoriação compatível com a pressão de unhas. Em 9 de março, a Justiça de São Paulo encaminhou o caso para a Vara do Tribunal do Júri. Essa é a responsável por crimes contra a vida — como, por exemplo, homicídio, feminicídio e induzimento ao suicídio. Um dia depois, o Tribunal de Justiça de São Paulo decretou sigilo em todo o processo do caso. Uma denúncia anônima registrada em um IPM (Inquérito Polícia Militar) aponta que o tenente-coronel tinha "instabilidade emocional". Segundo o denunciante, Rosa Neto perseguia, intimidava e ameaçava a companheira recorrentemente. A Corregedoria da PM instaurou um IPM no dia 20 de fevereiro, dois dias após a morte da soldado, para apurar o caso. Defesa O advogado de Rosa Neto declarou estar "estarrecido" pela prisão preventiva (por tempo indeterminado) do cliente ter sido mantida nas justiças comum e militar. No dia 19 de março, Eugênio Malavasi ressaltou que o cliente colabora com as autoridades competentes desde o início das apurações. No dia 11 de março, o tenente-coronel negou ter matado a esposa e declarou ter a consciência tranquila. "As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade", disse, em entrevista à Record TV. Em caso de violência, denuncie Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico. Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008. As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos. Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH). Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.