Furto na Unicamp: ao menos 24 tipos de vírus foram transportados entre laboratórios

admin
30 Mar, 2026
247 - Um caso envolvendo o transporte irregular de material biológico de alto risco colocou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) no centro de uma investigação policial e sanitária. Segundo apuração do Fantástico, ao menos 24 cepas diferentes de vírus foram retiradas de um laboratório de alta segurança e levadas para outra unidade dentro da própria universidade. Entre os vírus identificados estão agentes causadores de doenças como dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr e coronavírus humano, além de 13 tipos que infectam animais. Também foram recuperadas amostras do vírus da gripe tipo A, conforme informações publicadas pelo g1. O material foi retirado de um laboratório NB-3 do Instituto de Biologia, ambiente que segue rigorosos protocolos de biossegurança para manipulação de agentes infecciosos. Os principais suspeitos são a professora Soledad Palameta Miller, vinculada à Faculdade de Engenharia de Alimentos, e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller.A investigação teve início em 13 de fevereiro, quando uma pesquisadora percebeu o desaparecimento de caixas contendo amostras virais. Nos dias 24 e 25 do mesmo mês, Michael foi visto entrando e saindo do laboratório em horários considerados incomuns, carregando objetos. Em paralelo, outra cientista identificou a ausência de diversos materiais biológicos.Imagens de câmeras de segurança indicam que o casal frequentava o local desde novembro, inclusive em momentos sem a presença de outros pesquisadores. A situação levantou suspeitas internas e levou o caso à diretoria do Instituto de Biologia no dia 3 de março, sendo posteriormente encaminhado à reitoria.Diante da gravidade, a universidade acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal, já que o episódio envolve riscos à biossegurança. Em 21 de março, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca tanto na universidade quanto na residência dos suspeitos. Nenhum material foi encontrado na casa do casal, mas parte das amostras foi localizada em um biofreezer da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde a professora atua. A investigação aponta ainda que, após a operação policial, ela teria acessado outro laboratório, onde haveria mais amostras, e realizado o descarte de material biológico, além de alterar rótulos e marcações. Apesar do episódio, a direção do Instituto de Biologia afirmou que não há risco generalizado de contaminação, desde que os vírus permaneçam armazenados em condições adequadas, como recipientes vedados e congelados.Soledad chegou a ser presa, mas foi liberada provisoriamente. Ela deverá responder por transporte irregular de organismo geneticamente modificado, fraude processual e por expor a perigo a saúde pública. A defesa dela e de Michael Edward Miller não se manifestou até o momento.Em nota oficial, a Unicamp classificou o ocorrido como um "caso isolado em consequência de circunstâncias atípicas", reforçando que os protocolos de segurança da instituição seguem padrões rigorosos.