Por que os astronautas da Artemis 2 usam laranja na missão à Lua

admin
2 Apr, 2026
Esqueça "Marty Supreme" e suas bolas de tênis de mesa laranjas. Esqueça "Laranja Mecânica", "Orange Is the New Black" e Cheetos. O laranja que está prestes a incendiar a imaginação popular é o laranja internacional, a cor dos trajes de voo usados pelos quatro astronautas da Artemis 2, da Nasa, na primeira missão à Lua desde 1972. Quando Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e Jeremy Hansen, 50, caminharam pela pista do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, vestiam trajes laranja vibrantes. Quando emergirem da cápsula após contornarem o satélite natural da Terra e viajarem mais longe no espaço do que qualquer ser humano já foi, estarão vestindo os trajes laranja. Em outras palavras, quando entrarem para a história, seus trajes laranja também entrarão. Embora grande parte da atenção relacionada aos trajes espaciais até agora tenha se voltado para os trajes brancos de caminhada espacial criados pela Prada e pela Axiom Space, são os trajes laranja que podem chamar mais atenção —e isso é proposital. Se os trajes da SpaceX, de Elon Musk, são o que James Bond usaria na nave Enterprise; se os trajes EVA (atividade extraveicular) da Prada/Axiom exibem um estilo que mistura caminhada espacial com passarela; e se os trajes de voo da Blue Origin, de Jeff Bezos, têm uma vibe de cowboy espacial motoqueiro (com a versão feminina, usada por Lauren Sánchez Bezos e sua tripulação exclusivamente feminina, oferecendo uma releitura de "As Panteras"), os trajes laranja posicionam os astronautas mais próximos do universo de super-heróis da Marvel. Os trajes, que funcionam como minissistemas de suporte à vida (os astronautas podem sobreviver neles por 144 horas, se necessário), foram feitos sob medida para o físico de cada astronauta pelos engenheiros da Nasa. Eles apresentam faixas decorativas reflexivas em azul-celeste que formam um V heroico no torso e circundam as coxas e a parte superior dos braços, onde destacam a articulação dos ombros, semelhante à de um tatu. Não que o azul seja meramente decorativo. O V indica alças externas para equipes de resgate se agarrarem, e as bolsas azuis que parecem baterias externas contêm coletes salva-vidas e cilindros de oxigênio reserva. E o tom é um contraste vívido com o laranja, acrescentando um toque de estilo à cor principal do traje. Essa cor já tem sua própria história marcante. Oficialmente conhecido como AMS Standard 595 cor #FS 12197, de acordo com um padrão do governo federal americano criado para tintas, o laranja internacional é descrito pelo Merriam-Webster como "um laranja avermelhado vívido", mais profundo que o laranja de cone de segurança ou o laranja fluorescente e especificamente projetado para se destacar contra os azuis do oceano e do céu. "O laranja é a combinação de vermelho e amarelo, duas cores altamente energéticas e visíveis", afirmou Leatrice Eiseman, diretora-executiva do Pantone Color Institute. "É percebido como a cor da urgência, exigindo ser visto." Há muito tempo, o laranja internacional é familiar na indústria marítima. Ele chamou a atenção do público na década de 1930, quando o arquiteto Irving Morrow o escolheu para a ponte Golden Gate, em São Francisco, na Califórnia, para que a estrutura se destacasse melhor contra a água e o céu. A Marinha adotou a cor para marcações na fuselagem de aviões em 1947, o mesmo ano em que o avião-foguete Bell X-1 laranja internacional de Chuck Yeager (1923-2020) quebrou a barreira do som. A Força Aérea dos EUA abraçou a cor na década de 1970, usando-a em trajes pressurizados para alta altitude —o laranja facilitava resgates na água. A cor chegou à Nasa quando o desastre da Challenger em 1986 levou a agência a explorar novas medidas de segurança. Os trajes anteriores de lançamento e reentrada eram brancos, mas a eficácia do laranja em operações de busca e resgate era impossível de ignorar. Os trajes EVA da Nasa, usados pelos astronautas em caminhadas espaciais na Estação Espacial Internacional, continuam brancos porque a cor repele o calor de forma mais eficaz. Em 1988, os trajes na cor laranja internacional apareceram, completos com um novo apelido: "trajes abóbora". O nome refletia o fato de que aqueles trajes eram sem forma e pareciam bolhas, embora amplamente reconhecíveis, o que ajuda a explicar por que fizeram a transição de uniforme para fantasia de Halloween tão facilmente (e também apareceram no filme "Armageddon" de 1998). Os trajes de hoje têm um visual feito sob medida. Não constituem necessariamente um superpoder, mas são meio magnéticos.