Artemis II: por que tem gente que não acredita que o homem foi à Lua?

admin
8 Apr, 2026
Enquanto escrevo e você lê esta crônica, lá no espaço há quatro seres humanos numa espaçonave. Eles voltam para a Terra depois de terem dado a volta na Lua. Repetindo: enquanto escrevo e você lê esta crônica, lá no espaço há quatro seres humanos numa espaçonave. Eles voltam para a Terra depois de terem dado a volta na Lua. Você tem ideia da grandeza disso? Pois é, nem eu. E, no entanto, ao me dar conta desse fato me percebo imerso no cotidiano mesquinho e vazio da discussão política. Vou à janela. Olho para o céu. Me lembro da explosão da Challenger, em 1986, e da anedota do homem que, ao assistir à viagem de 1969 pela TV, abriu a janela, olhou para a Lua e disse: “Mentira. Não tô vendo ninguém lá”. Tomés epicuristas E penso nas pessoas [https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/polzonoff/as-pessoas-e-as-outras-pessoas/], muitas pessoas, talvez até você, e que não acreditam que o homem pisou mesmo na Lua. Elas devem ter lá seus motivos. Seus “fatos”. Mas me pergunto se essa desconfiança toda não nasce antes de uma descrença muito grande na engenhosidade humana. Se o otimismo daquela época não nos é inalcançável. Se não conseguimos mais conceber feitos que falam mais à alma do que à matéria e por isso preferimos brigar no Twitter a contemplar a aventura da Artemis II. Juntando uma coisa com a outra, volto à missão Artemis II. Ou melhor, ao descaso geral pela missão. Ao tédio que hoje envolve essa coisa de se enfiar numa nave apertada e se lançar no vazio para visitar um corpo celeste estéril no qual o homem pode ou não pode ter pisado há quase 57 anos. É que viramos todos uns Tomés epicuristas: só acreditamos no que vemos, mas preferimos não ver para não sofrer a angústia de ter de pensar nisso tudo.