Carga tributária evidencia erro da política fiscal de Lula

admin
14 Apr, 2026
Ao bater mais um recorde em 2025, como recém-divulgado pelo Tesouro Nacional, a carga tributária do país evidencia o erro básico da política fiscal do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No ano passado, União, estados e municípios arrecadaram em impostos, taxas e contribuições R$ 4,127 trilhões, equivalentes a 32,4% do Produto Interno Bruto. Dito de outra maneira, o Estado brasileiro consumiu perto de um terço da renda da população. Essas cifras seriam ainda maiores se considerassem, como fazem outros trabalhos, encargos como as contribuições para o FGTS e o Sistema S, que somam 1,95% do PIB. De todo modo, os números do Tesouro dão boa ideia de como evolui a carga. Antes deste governo petista, ela havia sido de 31,2% do PIB em 2022. Já seria digna de nota uma alta de 1,2 ponto percentual em apenas três anos, mas deve-se levar em conta, ainda, que o último ano de Jair Bolsonaro (PL) foi de arrecadação excepcional, graças à escalada dos preços do petróleo com a guerra da Ucrânia. Na série histórica iniciada em 2010, são mais comuns taxas oscilando em torno de 30% do PIB. A política de Lula é claramente a principal responsável por esse aumento —nesse período, a receita dos tributos federais subiu de 20,6% para 21,6% do PIB. A despeito do avanço, a aposta de Brasília em mais arrecadação para reequilibrar as contas públicas se mostrou um fracasso previsível. De 2022 para 2025, o resultado do Tesouro Nacional passou de superávit de 0,55% do produto (sem contar gastos com juros) para déficit de 0,46%. Ainda que a primeira cifra tenha sido favorecida por um calote parcial no pagamento de precatórios, a deterioração é clara. Se incluídas despesas financeiras, há uma disparada do rombo, de 4,45% para 7,59%. A ofensiva tributária de Lula 3 incluiu medidas corretas, que reduziram privilégios injustificados de grupos influentes, mas também cobranças casuísticas e nefastas, como o aumento do IOF em 2025 —que encareceu o crédito bancário. Tudo somado, o esforço foi inútil diante de uma expansão insustentável dos gastos. Há limites econômicos e políticos para o aumento dos impostos. No primeiro caso, a carga brasileira já é excessiva para um país de renda média. Como mostra o relatório do Tesouro, a arrecadação média na América Latina fica pouco acima de 21% do PIB; mesmo em países ricos como Estados Unidos e Japão, o indicador não chega aos patamares daqui. No segundo, os contribuintes naturalmente resistirão a arcar com mais sacrifícios enquanto se veem tantos episódios de desperdício e má gestão no setor público, dos supersalários no Judiciário ao rombo bilionário dos Correios, passando pela farra das emendas parlamentares. A carga pode e deve ser mais bem distribuída, com maior peso na renda alta e menor tributação regressiva sobre o consumo. Imaginar que será possível elevá-la indefinidamente, porém, é ilusão.