Robôs quadrúpedes concluem um ano de testes na Petrobras

admin
30 Apr, 2026
Robôs quadrúpedes concluem um ano de testes na Petrobras O projeto “Pilotos com Robôs de Solo” concluiu um ano de testes em refinarias e em plataformas. A iniciativa, gerada por um desafio da Petrobras, foca na viabilidade técnica do uso de robôs na companhia. Por meio da coleta de dados visuais, térmicos e acústicos, a pesquisa busca consolidar a digitalização de ativos e o desenvolvimento de algoritmos e de procedimentos operacionais e de segurança para o setor de óleo e gás. A iniciativa da Petrobras visa consolidar o uso de robôs autônomos para a execução de inspeções técnicas em ambientes críticos para diminuir fatores de risco e elevar a precisão da coleta de dados operacionais. As avaliações são realizadas por um consórcio de universidades, vinculadas à Universidade de São Paulo (USP), campus São Carlos, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), finalizou, ao longo de 2025, o cronograma anual de avaliações do projeto "Pilotos com Robôs de Solo em Plataformas e Refinarias". O projeto estabeleceu protocolos para avaliar a viabilidade técnica e identificar lacunas no monitoramento dos ativos da empresa. Entre os objetivos centrais, destacam-se: inspeções multissensoriais, monitoramento estrutural, análise de vibrações e de ruídos anômalos em equipamentos, identificação de vazamentos de gases e detecção de anomalias em infraestruturas. Além das inspeções, o uso dos dispositivos visa digitalizar os ativos e atualizar a base Street View das plantas da Petrobras, permitindo uma navegação virtual e precisa. Por meio do teste de robôs com modelos comerciais, o projeto busca compreender as limitações dessas tecnologias em campo, permitindo o aprimoramento de algoritmos de pós-processamento de imagens e o desenvolvimento de procedimentos operacionais que garantam a segurança e a eficiência nas plantas industriais. As operações foram realizadas simultaneamente em ambientes acadêmicos, no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES), no Rio de Janeiro, bem como em unidades offshore na Bacia de Santos, no Porto de Macaé e na Refinaria de Paulínia (REPLAN). A iniciativa utilizou robôs quadrúpedes e de tração por esteiras para a execução de rotas de inspeção e empregou, de forma pioneira no Brasil, o software Energy Robotics, plataforma de gestão de frotas de robôs e drones desenvolvida na Alemanha. O emprego de robôs autônomos tem como finalidade, além dos objetivos operacionais, mitigar a exposição de trabalhadores a ambientes classificados como perigosos e insalubres. De acordo com o coordenador do projeto, Professor Dr. Thiago Boaventura, da USP, o encerramento deste período operacional estabelece a transição para uma etapa de maior maturidade tecnológica dos sistemas. Durante a execução dos testes, as equipes concentram-se na validação da operabilidade de múltiplas unidades robóticas e na medição objetiva de indicadores de desempenho em condições reais de uso industrial. Foram utilizados modelos quadrúpedes, como o ANYmal (ANYbotics) e o Spot (Boston Dynamics), além de robôs desenvolvidos pela empresa austríaca Taurob, que utilizam tração por esteiras e tecnologia para operação em ambientes explosivos. Esses dispositivos executaram missões de forma independente ou sob supervisão técnica remota, realizando leituras de medidores e análises visuais de diferentes objetos, como lâmpadas e válvulas. Segundo o Dr. Boaventura, os dados obtidos estão em processo de consolidação em um relatório técnico pormenorizado, que inclui análises estatísticas comparativas dos desempenhos em ambientes onshore e offshore. Essa base de dados estruturada é considerada essencial para o planejamento de futuras implementações em escala industrial ampliada e para o desenvolvimento de soluções nacionais para a gestão de frota de robôs. A complexidade técnica do projeto demandou a colaboração de pesquisadores em robótica, sistemas computacionais, telecomunicações e ciência de dados da Petrobras e das universidades. O projeto visa avançar na integração de dados com sistemas de gestão empresarial (SAP), visando a automação do fluxo informativo. Essa funcionalidade permitirá que o robô receba rotas de inspeção e envie relatórios diretamente aos sistemas de ordens de serviço, otimizando o ciclo de manutenção preventiva. As próximas etapas da pesquisa também focarão no uso de sensores acústicos e térmicos para a detecção precoce de falhas e não-conformidades em equipamentos rotativos, como bombas e compressores. Para o Professor Boaventura, a conclusão deste ciclo não apenas valida a eficácia da robótica móvel em condições industriais, mas também projeta o ecossistema acadêmico brasileiro à vanguarda da Indústria 4.0. Ao integrar inteligência artificial e segurança do trabalho, a iniciativa pavimenta o caminho para operações mais inteligentes e menos dependentes da exposição humana a riscos. O legado deste consórcio, segundo o professor, servirá de base para que a transição de protótipos para frotas industriais seja o próximo marco para a integridade de ativos no Brasil. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas