Como a Copa do Mundo se tornou uma "fábrica" de memes?

admin
1 May, 2026
Neymar virou alvo de piadas na Copa do Mundo de 2018 Reprodução Quem acompanhou atentamente a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, não esquece de um lance que viralizou no mundo inteiro e marcou a carreira de Neymar. Depois de sofrer uma entrada de um atleta da Sérvia, em um jogo da fase de grupos, o craque brasileiro desabou e começou a rolar em campo. O número exagerado de rodopios somado a fama de "cai-cai" do atleta, na época, se transformou em piada na internet. Montagens de Neymar dando piruetas ganharam milhares de versões nas redes sociais e abalaram a imagem do principal jogador da Seleção Brasileira. Naquele ano, a Copa do Mundo já era terreno fértil para os produtores de conteúdo e uma verdadeira fábrica de "memes" na internet. Com 64 partidas divididas por 32 equipes, a maioria longe do nível do alto escalão do futebol mundial, cada curiosidade, ou bizarrice, era prato cheio para a audiência de quem acompanhava o evento pelas redes sociais. Entretanto, esse novo jeito de acompanhar a Copa havia sido inaugurado quatro anos antes, no Mundial do Brasil. Em 2014, a ascensão das redes sociais e de novas gerações de celulares estava a todo vapor. Com a criação de novas ferramentas e aplicativos, o comportamento do usuário na internet também começava a mudar, assim como a proporção do que era impulsionado no ambiente virtual. Em paralelo a esse cenário, a Seleção Brasileira proporcionou o maior vexame da história das Copas do Mundo. Após o "7 a 1" contra a Alemanha, na semifinal, o que antes era ufanismo, se transformou em drama para os brasileiros. A derrota escancarou fragilidades, mas também trouxe à tona situações tragicômicas sobre os envolvidos na campanha. David Luiz após o 7 a 1 para a Alemanha, em 2014 Reprodução "Alegria nas pernas" Desde a fala de Felipão sobre o atacante Bernard, que substituiu Neymar contra os alemães, até o choro do zagueiro David Luiz após a partida: tudo virou motivo de críticas e piada para os brasileiros. Diante da tragédia, tentando aliviar a barra da Seleção, o auxiliar técnico Carlos Alberto Parreira protagonizou uma das cenas mais emblemáticas da eliminação brasileira. Durante entrevista coletiva, o campeão do mundo de 1994 leu uma carta supostamente feita por uma torcedora chamada Lúcia. O texto direcionado para Felipão exaltava o técnico e o perdoava pelo "7 a 1". A iniciativa de Parreira foi vista pela crítica e pelos torcedores como uma tentativa de aliviar a responsabilidade da comissão técnica pela goleada. Dona Lúcia (Rafael Scarfone) e Carlos Alberto Parreira Reprodução A existência de Lúcia nunca foi comprovada, mesmo assim virou brincadeira nas redes sociais. Diante do absurdo do contexto, o bancário Rafael Scarfone encontrou uma oportunidade. Minutos após a declaração, ele criou o perfil "Dona Lúcia" nas redes sociais como uma forma de satirizar a situação. Em pouco tempo, a página explodiu e ele mudou completamente de vida. Hoje, "Dona Lúcia" reúne mais de 500 mil seguidores em diferentes plataformas digitais e se transformou na principal atividade de Rafael. Mesmo 12 anos após a tragédia do Mineirão, ele continua faturando com o personagem. Neymar, o rei do entretenimento Para 2026, o influenciador está diante de um dilema. Santista, ele é sincero e diz que não levaria Neymar para a Copa. No entanto, Rafael sabe que, para a produção de conteúdo em seu perfil, a presença do camisa 10 no Mundial geraria muito mais engajamento. Copa do Mundo A Copa do Mundo sempre gerou tendências. Se antes os esquemas táticos inovadores ditavam o rumo do futebol após os mundiais, hoje o evento também é capaz de moldar o comportamento dos fãs ao redor do mundo. No Brasil, o humor também caminhou lado a lado da Seleção Brasileira, desde os tempos dos quadros do "Casseta e Planeta", até os "memes" da internet. Com o novo formato do mundial, com 48 seleções, dessa vez a produção de conteúdo digital será amplificada. Resta saber o que as IAs serão capazes de produzir durante o torneio na América do Norte.