Como Nokia foi de fabricante de celulose a no 1 do mercado móvel

admin
9 May, 2026
É praticamente impossível não pensar na Nokia como uma referência no mercado móvel . Só que, diferentemente do que se pode presumir, ela nem sempre foi atuante nesse setor em mais de um século de existência. Fundada em 1865, por Fredrik Idestam, a Nokia começou sua jornada como uma fábrica de celulose, mas algumas décadas depois, com uma nova unidade – próxima à cidade homônima –, ela passou a atuar como geradora de energia elétrica. Só que essa não seria a sua única transição. Pouco tempo após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a companhia entrou em um período de declínio, ficando à beira da falência. Como resultado, ela foi adquirida pela Finnish Rubber Works — fabricante de produtos de borracha, muito conhecida por suas galochas —, que queria manter o fornecimento de energia. Com a integração da exportadora de cabos telefônicos e elétricos, Finnish Cable Works, em 1922, as três empresas se fundiram, formando um conglomerado de produção de cabos eletrônicos e cabos, a Nokia. Novo rumo A partir de 1960, a empresa começou a atuar no setor de tecnologia móvel. A produção, inicialmente, teve como foco o rádio-telefone para o exército finlandês. A expansão de mercado aconteceu mais de 20 anos depois, quando a Nokia lançou o seu primeiro telefone para carro, chamado de Mobira Senator. Em 1987, com o Mobira Cityman, a marca entrava oficialmente no mercado móvel. O seu aparelho portátil, no entanto, ficou conhecido como “Gorba”, já que o presidente soviético, Mikhail Gorbachev, foi fotografado com ele em mãos. Essa guinada levou a Nokia a, em 1992, focar na produção de telefones celulares e, aos poucos, se desfez dos seus demais negócios. A decisão coincidiu com o avanço do padrão GSM, o que impactou positivamente a sua expansão global. Ainda naquele ano, o então primeiro-ministro da Finlândia, Harri Holkeri, fez a primeira chamada do mundo com a tecnologia, usando modelos da Nokia, e a empresa lançou o seu primeiro celular GSM digital, o Nokia 1011. Começavam ali, a década de ouro da marca. Mobira Cityman 900, da Nokia. Foto: reprodução/Mobile Phone Museum. Do topo à inexistência No ano de 1994, a marca finlandesa lançou a série 2100, a primeira a ter o toque Nokia Tune. Os modelos fizeram um imenso sucesso, a ponto de a empresa totalizar 20 milhões de unidades vendidas, número 50 vezes maior do que ela esperava. Quatro anos mais tarde, a Nokia já dominava o mercado e, entre 1996 e 2001, a empresa viu seu faturamento avançar de 6,5 bilhões de euros para 31 bilhões de euros. Em pleno auge, o negócio era estimado em 200 bilhões de libras esterlinas e representava 25% do PIB finlandês. O pioneirismo da marca manteve-se em alta após a virada do século. Um exemplo disso foram os toques de celular musicais, que a Nokia passou a produzir, após fechar um contrato de exclusividade com a gravadora EMI, com duração de seis meses. No entanto, a marca finlandesa começou a mostrar sinais – bastante sutis – de que ela não estava tão bem quanto parecia. Em 2001, por exemplo, ela demitiu 1 mil funcionários por conta de uma desaceleração do mercado, mesmo alcançando um faturamento de 31 bilhões de euros. Três anos mais tarde, ela afirmou que, embora fosse a marca líder, estava perdendo espaço para concorrentes. A chegada do iPhone ao mercado, em 2007 , começou a tornar o cenário mais difícil, já que naquele ano, a Nokia precisou fazer um recall de 46 milhões de celulares. A sequência de anos ruins acumulou-se e, em 2012, o prejuízo passava de 1 bilhão de libras esterlinas. Em 2013, a divisão de aparelhos móveis foi licenciada para a Microsoft por 5,44 bilhões de euros. Entre idas e vindas Enquanto o coração da marca finlandesa se manteve e é protagonista até os dias atuais na telecomunicação, os celulares não seguiram o mesmo caminho. Após a aquisição da marca pela empresa de Bill Gates, novos modelos da Nokia – da série Lumia – chegaram ao mercado com o sistema operacional Windows Phone. Nokia Lumia 1020. Foto: Andy H. Cheng/Wikimedia Commons Acontece que a tecnologia da Microsoft já não era muito popular. Tardiamente, ela entrou em um mercado cujo domínio era — e continua sendo — disputado de forma acirrada por Android e iOS. Além da falta de timing, o sistema operacional não tinha tanta oferta de aplicativos em sua loja, ficando na casa dos milhares, bem abaixo dos milhões de ferramentas disponíveis nas plataformas concorrentes. Mesmo com a boa recepção do mercado com o Lumia, essas questões impediram que o projeto avançasse. Em 2016, com o fim do contrato, uma empresa chamada HMD Global , de ex-executivos da Nokia, passou a ser responsável pela marca no mercado de celulares. Após dez anos de parceria, o contrato chegou ao fim e, mesmo antes, a HMD já se movimentava para consolidar seu nome no lugar da Nokia. Foto: Sede da Nokia, em Espoo, na Finlândia. Reprodução/Nokia.