100 anos de O Imparcial
11 May, 2026
O jornal “O Imparcial” celebrou esta semana um centenário de história. Há algo de profundamente simbólico quando um jornal alcança a marca de um século. Em tempos em que tudo parece efêmero, instantâneo e descartável, completar cem anos é mais do que um feito histórico — é um ato de resistência. O jornal O Imparcial chega a esse marco como quem atravessou tempestades sem perder a bússola. Nasceu em um mundo em que a notícia tinha o ritmo do papel e o cheiro da tinta. Era um tempo em que a informação não corria — ela chegava. E, ao chegar, moldava consciências, formava opiniões e registrava a própria história. De lá para cá, o mundo passou por profundas mudanças — e mudou rápido. O rádio, a televisão, a internet e, mais recentemente, as redes digitais transformaram a forma de comunicar, consumir e até compreender a realidade. A notícia deixou de esperar o amanhecer para disputar espaço em telas que nunca se apagam. As bancas das praças Deodoro e João Lisboa desapareceram, assim como os jornaleiros que, nas madrugadas, levavam o jornal às casas ou anunciavam, em voz alta, as manchetes do dia ou gritavam “olha O Imparcial”. A velocidade passou a ser medida em segundos, e não mais em edições. Nesse cenário, muitos ficaram pelo caminho. O que antes era pluralidade de vozes impressas reduziu-se a raras resistências. E é justamente nesse ponto que o centenário de O Imparcial ganha contornos ainda mais grandiosos: o jornal não apenas sobreviveu — reinventou-se. Reinventar-se, aqui, não significa renunciar à essência. Pelo contrário, é preservá-la em meio às mudanças. É compreender que a tecnologia transforma os meios, mas não substitui os valores que sustentam o bom jornalismo: credibilidade, responsabilidade e compromisso com a verdade. A história do jornal se confunde com a própria história do Maranhão. São páginas que testemunharam transformações políticas, sociais e culturais, registrando o cotidiano e eternizando momentos que, sem o papel, talvez se perdessem no esquecimento. Cada edição impressa é, ao mesmo tempo, notícia e memória. Na última quinta-feira (07.05), tive a honra de participar, no Plenário Nagib Haickel do Palácio Manoel Beckman, da sessão solene em homenagem aos 100 anos de O Imparcial. Na ocasião, este importante veículo de comunicação foi reconhecido como Patrimônio de Natureza Cultural e Imaterial do Estado do Maranhão, em justa homenagem à sua trajetória centenária e à inestimável contribuição prestada à imprensa, à cultura e à memória do povo maranhense. Foi um momento histórico, marcado pelo reconhecimento público da relevância de um jornal que atravessou gerações sem perder sua identidade e seu compromisso com a informação de qualidade. E talvez seja essa a grande pergunta que ecoa neste centenário: até quando o papel resistirá? A resposta, ao que parece, não está apenas na matéria física, mas na capacidade de adaptação. O papel pode diminuir, o formato pode mudar, mas a essência, se bem-cuidada, permanece. Ao longo desses anos, esse jornal genuinamente maranhense vivenciou a transição do analógico para o digital, mas continua ocupando diariamente um lugar de encontro com o leitor que busca notícia com credibilidade. Celebrar os cem anos de O Imparcial é reconhecer que, mesmo em meio à avalanche tecnológica, há espaços que não podem ser substituídos: o da reflexão, o da análise, o da palavra que permanece. Num mundo em que tudo passa depressa, resistir é um gesto quase revolucionário. E permanecer relevante, por um século inteiro, é prova de que a história não se escreve apenas com velocidade — mas com propósito. Parabéns a O Imparcial, centenário guardião da palavra e da memória. Ao longo da minha vida, já escrevi mais de uma centena de crônicas publicadas neste conceituado veículo e hoje, como forma de expressar minha gratidão, quero prestar minha homenagem especial a todos os jornalistas e profissionais dedicados que, com competência, talento e compromisso ético, constroem diariamente a credibilidade e o sucesso deste jornal. Que continuem, por muitos anos, desafiando o tempo — e contando a nossa história. Que venham outros cem anos.