Entenda como a IA pode mudar profissões na área criativa

admin
11 May, 2026
Esta é uma edição da newsletter Folha Carreiras. Quer recebê-la às segundas-feiras no seu email? Inscreva-se abaixo: A não ser que o leitor viva dentro de uma caverna (com Wi-Fi para ler newsletters, neste caso?), percebeu que a tecnologia está mudando todas as áreas de trabalho. Não é a primeira vez que isso acontece: a chegada da internet, por exemplo, mudou o jogo para sempre há algumas décadas. As carreiras criativas —neste balaio, coloco além dos artistas outros profissionais que dependem da criatividade para trabalhar, como publicitários, designers, etc.— estão entre as mais impactadas pela chegada da inteligência artificial. Na edição de hoje, falo sobre o que deve mudar no ramo e como se preparar para o futuro (que já chegou). Ladeira abaixo? Pelo contrário. Há mais pessoas procurando formação nas áreas criativas do que nunca, segundo Josiane Tonelotto, superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes. Em parte, o aumento da procura se deve ao crescimento de opções de carreiras no setor. Desde que ocupa a chefia acadêmica da universidade, ela afirma ter visto movimentos como a especialização em mídias sociais nascer e a procura por profissionais do audiovisual multiplicar. Ela também enxerga maior especialização na área do design, que além do curso geral ganhou capacitações para segmentos de games e animação. ↳ Tonelotto considera que há poucos relatórios e coletas de dados para entender o avanço desse setor no Brasil. "Há uma escassez de dados que possam nortear como está esse mercado", afirma. Desenha para mim? A chegada da inteligência artificial é um desafio para o mercado. Ainda há muito o que debater, segundo a especialista, sobre como a capacidade da IA de criar ilustrações e vídeos pode impactar a contratação de profissionais da arte. No entanto, já há reflexões importantes sobre o assunto. - "Há um risco real, que é o da mediocridade. Muitos vão usar a IA pra substituir as artes e os textos, mas ela não é capaz de ser criativa, só responde bem a um prompt. Terceirizar a criatividade não funciona, ela é insubstituível", afirma Tonelotto. "A IA abrevia, acelera, mas não vai ocupar o meu lugar. O dono da palavra sou eu." Ela faz um paralelo com o uso da tecnologia na educação, muito criticado no início, mas incorporado ao longo do tempo. - "O professor nunca foi substituído pela tecnologia, ele foi substituído por outro professor que sabe usar tecnologia", diz. - "Não podemos delegar tudo para a IA, já vi campanhas publicitárias que ficaram péssimas: contexto impessoal, frases curtas e encadeadas. A criatividade humana vai ficar cada vez mais cara", afirma. Olhando o perigo nos olhos. O pior caminho, na opinião da especialista, é ignorar a inovação. O profissional das áreas criativas precisa entender como a IA pode afetar a sua atuação e aprender a trabalhar com ela. Quem souber conciliar a própria originalidade com as novas ferramentas tem mais chances de prosperar. Para ela, o aumento da eficiência e o ganho de agilidade são benefícios importantes para as empresas que trabalham com a criatividade. O primeiro da fila. Quem contrata o criativo precisa decidir se a criação ou a produtividade é o elemento mais importante daquele trabalho. A especialista acredita que, cada vez mais, trabalhos que usam a engenhosidade humana para acontecer serão a grife do mercado criativo. - "O processo criativo, de maneira geral, é complexo. Se você usar a IA com parcimônia, não vejo como um problema. Não dá, no entanto, para entregar a maior competência do artista, que é criar", afirma. Uma dica: a chefe acadêmica da Belas Artes acredita que a principal habilidade que o profissional deve conservar frente a uma ferramenta como a IA, que entrega boa parte das atividades com prontidão, é a capacidade de refletir e ruminar sobre os assuntos. - "O processo de aprender e melhorar exige maturação. O que é mais difícil de ensinar para o jovem hoje é que ele faça reflexões acerca do que está vivendo e experimentando. Que ele rumine um pouco, o que é parte do processo criativo. Acelere a produtividade, mas saiba se aprofundar", aconselha. Um último conselho... - "Criatividade é a capacidade que todos nós temos para encarar problemas de várias formas. Todo mundo é capaz de ser criativo porque criatividade é uma competência, e como competência ela pode ser aprendida", afirma Josiane Tonelotto.