Brasil amplia capacidade inventiva, porém 80% das patentes são estrangeiras

admin
13 May, 2026
O Hub de Inovação e Empreendedorismo Paulo Cunha do Insper, em colaboração com o Núcleo de Estratégia da instituição, lançou o relatório “Panorama Nacional de Depósitos de Patentes no Brasil (2000–2023)”. A análise, baseada nos microdados da BADEPI 10.0 do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), processou mais de duas décadas de registros para oferecer um diagnóstico preciso sobre a real capacidade de inovação do país. Os dados revelam que, embora o Brasil tenha estabilizado um patamar de aproximadamente 25.000 patentes de invenção anuais desde 2017, o país enfrenta um desequilíbrio estrutural em sua soberania tecnológica. Em 2023, 80,4% dos depósitos de invenção foram realizados por não residentes. O dado reforça que o Brasil é um mercado relevante para proteção de tecnologias globais, mas também evidencia a limitada participação de empresas nacionais em setores de alta intensidade tecnológica, que são dominados por empresas estrangeiras. Os Estados Unidos mantêm a liderança histórica com 30,2% dos pedidos, seguidos por uma rápida ascensão da China, que já representa 6,5% do total e reflete uma estratégia ativa de internacionalização tecnológica. Rodrigo Amantea, Head do Hub Paulo Cunha, afirma que o Observatório nasce justamente para ser uma barreira contra o “empreendedorismo de palco”, oferecendo uma fonte factual sobre onde o Brasil realmente retém propriedade intelectual. Segunso Amantea, o estudo marca a inauguração oficial do Observatório de Inovação e Empreendedorismo, iniciativa institucional dedicada à produção contínua de inteligência estratégica sobre o sistema nacional de inovação, com base em dados, evidências empíricas e rigor analítico. O protagonismo da academia é outro ponto central do relatório. Em 2024, as instituições de ensino ocuparam 37 das 50 posições no ranking de maiores depositantes de patentes de invenção no Brasil. No entanto, esse domínio acadêmico revela um gargalo na transferência de tecnologia para o setor privado, onde apenas 11 empresas figuraram no topo da lista no mesmo período. O estudo aponta que a pressão por métricas acadêmicas muitas vezes gera um volume de “conhecimento parado”, com baixa aplicação comercial e lenta absorção pelo mercado empresarial. Geograficamente, a atividade inventiva residente permanece concentrada nos grandes polos do Sudeste e Sul, com São Paulo liderando isoladamente com 15.431 depósitos. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba completam os primeiros postos, enquanto cidades como Campinas e São José dos Campos reafirmam a importância de ecossistemas tecnológicos consolidados fora das capitais. Setorialmente, o Brasil ainda concentra seus esforços em áreas industriais tradicionais, como Engenharia Civil e máquinas especiais, enquanto perde espaço em campos de fronteira tecnológica para players internacionais. “Patentes não são apenas um indicador acadêmico, mas sinais econômicos e competitivos que ajudam a orientar decisões estratégicas”, afirma Amantea. “Este primeiro relatório mostra com clareza onde o país já construiu capacidade e onde ainda perde valor, especialmente na transformação de invenções em soluções que ganham escala e chegam ao mercado.” O relatório revela que o Brasil dispõe de uma base inventiva ativa e universidades produtivas, mas ainda precisa avançar na consolidação da inovação como estratégia empresarial estruturada. Transformar capacidade científica em vantagem competitiva sustentável exige coordenação, incentivos adequados e maior protagonismo do setor produtivo. O lançamento deste panorama é o primeiro passo de uma agenda contínua de produção de inteligência do Hub, que visa fortalecer a conexão entre a pesquisa aplicada do Insper e o desenvolvimento de negócios de alto impacto no Brasil. O post Brasil amplia capacidade inventiva, porém 80% das patentes são estrangeiras apareceu primeiro em Monitor Mercantil .