Apple pode usar processo Intel 18A no chip M7 e 14A em futuros iPhones, diz rumor
14 May, 2026
A parceria entre Apple e Intel ganhou contornos mais específicos nesta última quinta (14). Um novo rumor aponta quais litografias da fabricante americana seriam usadas para produzir dois chips da Apple nos próximos anos, com nomes e prazos sugeridos: o Apple M7 entraria em produção em massa no fim de 2027 usando o processo Intel 18A-P , da classe de 1,8 nm, enquanto um chip para iPhones , possivelmente o A21 , sairia das fábricas da Intel em 2028 com a tecnologia Intel 14A , de 1,4 nm. A informação veio do analista Jukan (@jukan05 no X), que citou notas de uma teleconferência mensal da agência financeira GF Holdings Hong Kong (GFHK) . Segundo a apuração, o acordo entre Apple e Intel teria sido assinado em dezembro de 2025, vários meses antes da confirmação preliminar relatada pelo The Wall Street Journal na semana passada. From GFHK Monthly Call: Apple and Intel already signed an agreement in December 2025. The M7 chip will use Intel 18A-P and is expected to enter production by the end of 2027, while the smartphone chip will use Intel 14A and is expected to enter production by the end of 2028.... — Jukan (@jukan05) May 13, 2026 TSMC saturada, Apple busca alternativa A pressão para diversificar fornecedores tem causa direta: a demanda explosiva por chips voltados à inteligência artificial saturou a capacidade da TSMC, fornecedora exclusiva da Apple há mais de uma década. Com as encomendas de NVIDIA, AMD e hyperscalers consumindo cada wafer disponível, a fabricante taiwanesa tem dificuldade para atender o ritmo de produção que a Apple exige para iPhones e Macs. Isso já apareceu nas prateleiras, visto que os preços de produtos da Maçã subiram nos últimos meses, e a empresa precisou ajustar o cronograma de alguns lançamentos. Uma reportagem do The Wall Street Journal indica que a saturação de capacidade tem sido o argumento técnico que pesou na decisão de procurar um segundo fornecedor. Componente político A negociação tem ainda outro lado, conforme o The Wall Street Journal apurou. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu pessoalmente o uso da Intel em uma conversa com o CEO da Apple, Tim Cook, na Casa Branca. A frase atribuída ao presidente foi direta: “Eu gosto da Intel. O governo lucrou dezenas de bilhões de dólares com o acordo da Intel, e o apoio governamental à empresa atraiu parceiros importantes.” A política “Made in US” para semicondutores tem ganhado tração na administração Trump, com a Intel recebendo investimentos do governo americano e atraindo parceiros como a NVIDIA, que aportou US$ 5 bilhões na empresa em 2025 para desenvolver um SoC x86 com gráficos RTX. O projeto Terafab de Elon Musk também passou a contar com a Intel como fornecedora. M7 abre a parceria em 2027 O primeiro chip da Apple a sair de uma fábrica Intel deve ser o M7 , processador da linha M-Series voltado para MacBooks e iPads. O cronograma indicado pela GFHK prevê produção em massa a partir do fim de 2027, com a litografia Intel 18A-P , evolução do 18A original com melhorias específicas para clientes externos. A Intel já havia divulgado os ganhos do 18A-P em paper técnico recente , com até 9% a mais de desempenho na mesma potência e 50% melhor condução térmica em relação ao 18A. Esses números colocam o novo nó da Intel em paridade competitiva com o TSMC N2 , o que tornou a oferta viável para a Apple do ponto de vista técnico. Chip Plataforma Litografia Intel Classe Produção em massa Apple M7 MacBook e iPad Intel 18A-P 1,8 nm Fim de 2027 Apple A21 (suposto) iPhones Intel 14A 1,4 nm Fim de 2028 A escolha do M7 para abrir a parceria faz sentido logístico. Os Macs vendem em volume menor que os iPhones, o que reduz o risco caso a Intel enfrente atrasos ou problemas de rendimento na produção. Estimativas do analista Ming-Chi Kuo apontam vendas anuais entre 15 e 20 milhões de unidades para Macs e iPads em 2026 e 2027, volume relevante mas administrável para um cliente que está testando um novo parceiro. A21 chega ao iPhone com Intel 14A O segundo movimento envolve um chip para smartphones que deve estrear em 2028. A GFHK não confirma se será o A21 , designação esperada para o processador do iPhone de 2027, mas analistas anteriores já haviam levantado a possibilidade de a Intel fabricar as versões não-Pro da família A-Series. A versão Pro, mais sofisticada, tende a continuar com a TSMC. Divulgação/Intel O nó Intel 14A é deveras um salto generacional em relação ao 18A: documentos técnicos da Intel projetam ganho de desempenho entre 15 e 20% , aumento de 30% na densidade de transistores e redução de 25% no consumo comparado ao 18A. “Os números, se confirmados na produção em massa, colocariam a Intel próxima ou ligeiramente à frente do TSMC N2P/A16, que entra em produção em 2027.” Intel Foundry quer credibilidade Para a Intel, fechar com a Apple representa uma vitória estratégica maior do que financeira no curto prazo. A divisão Intel Foundry vinha tendo dificuldade para atrair clientes externos relevantes, e ter a Apple como cliente serve de selo de qualidade para outras empresas considerarem o time azul como segundo fornecedor. O CEO Lip-Bu Tan, que assumiu em março de 2025 após a saída de Pat Gelsinger, vinha sinalizando ceticismo sobre a viabilidade do 18A como produto comercial até pouco tempo atrás. A entrada da Apple, somada aos acordos com NVIDIA e ao projeto Terafab, mudou a postura interna sobre o futuro da divisão de fundição. Apple vs Intel: rivais no varejo Há um paradoxo competitivo na parceria que merece atenção. A Intel vem se posicionando agressivamente contra o MacBook Neo , linha de notebooks da Apple com chip A18 que entrou no segmento de PCs. A resposta da Intel inclui a parceria com o Google nos Googlebooks , que usam chips Intel, e o desenvolvimento do Wildcat Lake , projetado para concorrer no segmento de PCs do dia a dia. A relação curiosa é que a Intel agora vai produzir, em suas próprias fábricas, o chip de um concorrente direto seu no mercado de notebooks. Apple ganha capacidade adicional e diversifica risco. Intel ganha receita e validação técnica. O equilíbrio entre os dois objetivos define os termos do contrato. Leia também: Sucesso do iPhone 17 na China teria levado Apple a adiar lançamento do iPhone 18 Apple considerou incluir TouchID para desbloqueio do Apple Watch, mas desistiu WhatsApp lança plano pago para iPhone Histórico recente entre as empresas Apple e Intel já trabalharam juntas no passado... Entre 2006 e 2023, todos os Macs usavam processadores Intel, parceria encerrada quando a Apple decidiu desenvolver chips próprios baseados em ARM. Houve também uma tentativa frustrada de a Intel fabricar os SoCs da família A-Series no passado, mas Tim Cook teria comentado com Morris Chang, fundador da TSMC, que a Intel “simplesmente não sabe ser uma fundição”. O panorama torna a aproximação atual mais simbólica: a Apple não está apenas escolhendo um segundo fornecedor; está apostando que a Intel evoluiu o suficiente para fabricar os chips mais avançados de seu portfólio. O acordo de confidencialidade firmado meses antes do contrato envolvia troca de amostras do kit de desenvolvimento do nó 18A-P, com simulações internas da Apple confirmando o desempenho prometido pela Intel. A mudança também faz parte de uma transformação maior na cadeia de semicondutores. Através da escassez de wafers, o boom de IA e a pressão geopolítica criaram um cenário em que mesmo a Apple, historicamente fiel à TSMC, precisa repensar a estrutura de fornecimento. A entrada da Intel como segundo fabricante reduz a exposição da Maçã a um único ponto de falha. Vale lembrar que a confirmação oficial do acordo ainda não veio. Nem Apple nem Intel comentaram publicamente o conteúdo do contrato assinado em dezembro de 2025, e o próprio Jukan ressalta que os prazos divulgados pela GFHK são estimativas que podem mudar antes da produção em massa. Sendo assim, o cronograma fica firme até a primeira fornada efetiva do M7 sair de uma fábrica Intel, o que deve acontecer apenas no segundo semestre de 2027. Fonte(s): WCC F Tech Conteúdo Relacionado DEMANDA OCULTA Mais de 10% dos usuários de iPhone estão interessados em comprar um iPhone dobrável