Dependência externa em IA amplia risco geopolítico, diz governo
16 May, 2026
O secretário de Ciência e Tecnologia para a Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Henrique Miguel, afirmou que a dependência do Brasil de inteligência artificial estrangeira amplia vulnerabilidades geopolíticas e restringe o acesso a ferramentas estratégicas. Em entrevista ao Poder360, Henrique Miguel destacou que o avanço das big techs transformou o setor em uma disputa global por infraestrutura e controle tecnológico. [shortcode-newsletter] O secretário declarou que o volume de investimentos privados dessas corporações supera os aportes de muitos países, incluindo o Brasil e nações europeias. Para mitigar essa distância, o governo federal desenvolveu o Pbia (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial). O projeto destina R$ 23 bilhões em 4 anos, de 2024 a 2028, para criar uma fonte contínua de recursos públicos e privados. O financiamento utiliza verbas do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) –abastecido principalmente por tributos e royalties de setores como petróleo, energia e telecomunicações– e conta com a participação de estatais. O Pbia se divide em ações imediatas e estruturantes, atuando em 5 eixos: infraestrutura – focado no desenvolvimento de base tecnológica para a IA nacional; capacitação – voltado para a difusão e formação de profissionais especializados na área; serviços públicos – aplicação da tecnologia para a melhoria do atendimento do Estado à população; inovação – estímulo à adoção da inteligência artificial pelo setor empresarial; governança – apoio ao processo regulatório e à criação de diretrizes seguras para a IA. O secretário afirmou que o objetivo central é desenvolver soluções que melhorem a qualidade de vida da população. A expansão da IA em setores como saúde, agricultura e educação aumenta o risco de vulnerabilidade para países sem infraestrutura própria. Limitações impostas por outras nações durante disputas geopolíticas podem atingir a economia digital, o armazenamento em nuvem e as pesquisas estratégicas. Henrique Miguel disse que a dependência externa pode levar a vulnerabilidades na segurança digital. “Você não tem como se defender se você não usar ferramentas capazes de criar sua defesa”, declarou. A soberania e a segurança digital exigem infraestrutura própria para defesa contra ataques cibernéticos globais. Como resposta a essas preocupações, o governo federal iniciou a internalização de bases de dados sensíveis. Para ele, ataques cibernéticos fazem parte da realidade global e exigem infraestrutura própria, profissionais especializados e mecanismos de recuperação para lidar com essa possibilidade. O secretário declarou que o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e a Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social) modernizaram seus sistemas para manter as informações estratégicas hospedadas exclusivamente no território nacional.