Patrícia Ahmaral faz show especial com canções da dupla Caetano & Gil
21 May, 2026
Um show único, com repertório concebido apenas para esta apresentação. A cantora Patrícia Ahmaral é a convidada da terceira edição da temporada comemorativa do projeto Uma Voz, Um Instrumento. Domingo (24/5), ela protagoniza “Divino maravilhoso – As parcerias entre Caetano e Gil”. Não estará sozinha. Haverá outras vozes e mais de um instrumento no palco do Centro Cultural Unimed-BH Minas. Patrícia Ahmaral dedicou álbum duplo à obra de Torquato Neto Concebido e dirigido por Pedrinho Alves Madeira, produtor à frente do Uma Voz, Um Instrumento, o show tem direção musical de Rogério Delayon. Ele estará no palco, ora ao violão, ora com a guitarra, ao lado do percussionista Bill Lucas. Marcelo Veronez, Sérgio Pererê e Pedro Morais vão fazer participações. Leia Mais Loulu, caçula de João Gilberto, lança disco inspirado nas lições do pai Show de Kid Abelha em BH é adiado por mais de três meses Bela Gil revela motivo sincero para não seguir carreira na música A cantora anuncia um show extenso, com 26 canções. “São músicas diversas de tempos muito diversos. O Pedrinho costurou o repertório para constituir um sentido único e revelar a parceria de Gil e Caetano”, diz Patrícia. Trabalhar esse material foi natural. “Cresci nos anos 1970 e 1980 ouvindo a música brasileira capitaneada por eles. Conhecia todas as canções, entendo os dizeres dos dois”, afirma. Desafios Mas não foi um processo fácil. “Às vezes você olha músicas aparentemente fáceis, mas que se mostram muito desafiadoras”, comenta, exemplificando com “Cinema Novo”. “Tem letra muito extensa, com citação de vários filmes, e melodia muito intrincada.” Outra da turma das difíceis é “Lia”, canção pouco conhecida da dupla (que nunca a gravou), registrada por Claudette Soares em 1968, no álbum “Gil-Chico-Veloso”, dedicado à obra do trio de autores que despontava na época. “Ela parece uma bossa nova singela, mas a melodia é complexa, não é algo que se ouve e sai cantando. (O projeto) Demandou bastante estudo da parte do Rogério, para compreender a forma e trazer (o repertório) para o contexto contemporâneo”, acrescenta Patrícia. A cantora não caiu de paraquedas no material. Recentemente, fez grande imersão no cancioneiro de Torquato Neto (1944-1972), um dos pilares da Tropicália. Lançado em 2023, o álbum duplo “Patrícia Ahmaral canta Torquato Neto – Um poeta desfolha a bandeira & A coisa mais linda que existe” teve direção artística de Zeca Baleiro, com participações de Jards Macalé, Chico César, Paulinho Moska e Ná Ozzetti, entre outros. Incluída no show, “Mamãe Coragem”, de Caetano e Torquato, foi interpretada pela cantora naquele projeto. Mas todas as outras são inéditas no repertório de Patrícia. “Talvez já tenha cantado ‘Divino maravilhoso’ e ‘Panis et circenses’ em alguma situação que não um show meu”, observa. Dos três convidados, o único com quem ela nunca havia trabalhado é Pedro Morais. Juntos, vão cantar “Marginália 2” emendando com “Eu e ela estávamos ali encostados na parede”, canção de Gil e Caetano com letra do escritor e cineasta José Agripino de Paula. Marcelo Veronez dirigiu Patrícia no show dedicado a Torquato. Os dois vão cantar “Divino maravilhoso”. Com Sérgio Pererê será “As ayabás”, gravada por Maria Bethânia. Ele participou de “Vitrola alquimista” (2004), segundo álbum da mineira – gravou o samba “A outra beleza” (dela e Renato Villaça), faixa que teve a voz de Jards Macalé. “Fazer esse show e poder cantar esse repertório é um privilégio e um presente dentro do meu percurso. Sobretudo depois de ter feito o Torquato, um sonho de 20 e tantos anos. A obra de Caetano e Gil tem identidade com o que busco até hoje, algo que nos permite pertencer culturalmente. Esses dois trabalhos são muito conectados”, comenta Patrícia Ahmaral. Ouro de Tolo A cantora iniciou sua carreira em Belo Horizonte nos anos 1990 – a estreia se deu como backing vocal da banda Ouro de Tolo, grupo dedicado ao repertório de Raul Seixas. Seu primeiro disco é “Ah!” (1999), produzido por Zeca Baleiro. Desde então, foram outros quatro álbuns. Disco une voz de Mônica Salmaso a instrumentos construídos por Marco Antônio Guimarães, criador do Uakti Neste mês, Patrícia lançou dois singles: “Uma mulher” e “Lálálálá likes”. As duas faixas integram o EP com seis canções autorais que chegará em breve às plataformas. Depois de 15 anos vivendo em São Paulo, a cantora voltou, há três, a morar em BH. Ângelas no palco A comemoração dos 10 anos do projeto Uma Voz, Um Instrumento segue até julho. Os próximos shows serão “Tiê convida Vitor Santana” (11/6, às 20h) e “Zeca Baleiro & Swami Jr. interpretam Dolores Duran” (23/7, às 20h). Nas duas apresentações haverá homenagens a artistas que já participaram do evento. Tiê vai cantar músicas do repertório de Angela Ro Ro (1949-2025) e Zeca Baleiro, de Ângela Maria (1929-2018). UMA VOZ, UM INSTRUMENTO Com Patrícia Ahmaral e convidados no show “Divino maravilhoso”. Domingo (24/5), às 18h, no teatro do Centro Cultural Unimed-BH Minas (Rua da Bahia. 2.244, Lourdes). Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria.