Empresa gera pintinhos em ovo artificial, em plano para ressuscitar ave gigante

admin
23 May, 2026
A americana Colossal Biosciences afirmou, nesta semana, que filhotes de galinha saudáveis nasceram de um módulo de ovo artificial. A empresa chamou a etapa de fundamental em seu plano de trazer de volta à vida o moa-gigante-da-ilha-sul (Dinornis robustus), uma ave gigante que não voava originária da Nova Zelândia e que foi extinta há séculos. A Colossal é uma empresa de biotecnologia dedicada à "desextinção". O moa é uma das duas aves —sendo o dodô a outra— entre as seis espécies que, com a ajuda de DNA antigo, a empresa deseja ressuscitar. No ano passado, a Colossal disse ter modificado geneticamente o lobo terrível (Aenocyon dirus), um predador extinto da Era do Gelo. "Usando nosso sistema, chocamos 26 pintinhos e agora estamos monitorando ativamente essas aves enquanto crescem", disse Ben Lamm, diretor-executivo e cofundador da Colossal, à Reuters. Os pintinhos nasceram na sede da Colossal em Dallas, no Texas (EUA). A plataforma de ovo artificial possui uma membrana bioengenheirada à base de silicone colocada dentro de uma estrutura externa rígida. A membrana foi feita para imitar a função de troca gasosa da casca do ovo, permitindo que a ave embrionária respire oxigênio ao regular o movimento de gases e umidade. "A tecnologia foi projetada para reproduzir as condições de um ovo natural para produzir animais saudáveis com desenvolvimento, fertilidade e longevidade normais. Isso é particularmente importante para espécies como o moa, cujos ovos eram muito maiores do que os de qualquer ave viva, tornando as abordagens tradicionais de barriga de aluguel impraticáveis", disse Lamm. Por meio de clonagem, embriões no projeto do lobo terrível foram criados a partir de células editadas de lobo cinzento (Canis lupus). Estes foram implantados em cadelas domesticadas como mães de aluguel. Mas nenhuma espécie atual de pássaro é suficientemente grande para botar um ovo de moa, com cerca do tamanho de uma bola de futebol. O moa, que tinha até cerca de 3,6 metros de altura, foi extinto há aproximadamente 500 anos, em grande parte devido à caça humana. O emu, uma grande ave não voadora da Austrália que pode atingir cerca de 1,8 metro de altura, é seu parente vivo mais próximo. "Para chocar um Dinornis, a Colossal precisa de uma forma de gestar o embrião. Não existe uma mãe de aluguel viva grande o suficiente para botar um ovo de moa, já que eles são cerca de oito vezes maiores que um ovo de emu", disse Lamm. "O processo começa com um embrião aviário fertilizado, semelhante aos estágios mais iniciais de desenvolvimento dentro de um ovo natural. O embrião e a gema são então transferidos para a plataforma de ovo artificial da Colossal, que foi projetada para replicar as funções principais de uma casca de ovo natural e do ambiente de incubação, incluindo troca gasosa, regulação de umidade, estabilidade de temperatura e suporte ao desenvolvimento", descreve o executivo sobre o processo do ovo artificial. "À medida que o embrião se desenvolve, o sistema fornece controle ambiental contínuo e suplementação quando necessário —por exemplo, suporte de cálcio durante o crescimento esquelético, que normalmente viria da casca natural. Como o embrião se desenvolve visivelmente sobre a gema, os pesquisadores podem monitorar o desenvolvimento em tempo real durante toda a embriogênese [processo no qual um ovo fertilizado se desenvolve em embrião]", afirma o empresário. Para os 26 pintinhos, o tempo total de desenvolvimento desde a transferência do embrião até a eclosão foi de aproximadamente 21 dias, consistente com o desenvolvimento normal para a espécie, disse Lamm. Essa plataforma de ovo artificial, segundo o executivo, pode ser útil na conservação de espécies de aves ameaçadas de extinção. Também é um passo importante para trazer de volta o moa, afirma a empresa. "Outros obstáculos incluem a necessidade de reconstruir um genoma preciso do moa a partir de DNA antigo, identificar a base genética das principais características do moa e inserir essas características em uma espécie viva proximamente relacionada, como o emu", conta. "Na Colossal, o projeto está atualmente na fase de sequenciamento do genoma", disse Lamm, voltado à construção de genomas de alta qualidade para esta e para as outras oito espécies extintas de moa. "Até agora, a equipe identificou múltiplas fontes fortes de DNA antigo, incluindo amostras do moa-gigante-da-ilha-sul."