Tensão dentro e fora de campo: A relação ríspida entre Flamengo e Palmeiras
23 May, 2026
Resumo Flamengo e Palmeiras se enfrentam hoje às 21h pelo Brasileirão em um momento no qual o afastamento institucional dos dois clubes chegou ao nível mais extremo desde que passaram a figurar entre os mais ricos e vencedores do futebol brasileiro. O cenário traz rivalidade por títulos, concorrência financeira, embates verbais entre dirigentes e, mais recentemente, rompimento na liga. O Flamengo tem levado a melhor em rounds recentes, dentro e fora de campo. Se ganhou a Libertadores e o Brasileirão ano passado, também conseguiu um acordo na Libra que vai render mais R$ 150 milhões até 2029 em uma disputa sobre divisão de dinheiro. Como resultado, o Palmeiras até assinou o acordo, mas de imediato saiu do bloco. Real Madrid da Shopee para lá, gramado de plástico para cá, essa rispidez extrapolou razões esportivas e ganhou um cunho pessoal, na perspectiva do Palmeiras, com a chegada de Luiz Eduardo Baptista à presidência do Fla, substituindo Rodolfo Landim. Por mais que Leila tivesse discordâncias pontuais com Landim, a relação de tensão com Bap escalou. Nos bastidores, o Palmeiras entende que tem problema com o presidente, por uma postura considerada arrogante, e não com a instituição Flamengo. De todo modo, Leila defende que essa rusga não influencia o que os times farão dentro de campo neste sábado. "O externo não influencia em nada. Esses atritos do passado, e não vou ficar fomentando isso, não atrapalham nada. É um grande jogo, vamos jogar contra um grande, no Maracanã, com a torcida em maioria do Flamengo. Esses problemas extracampo não interferem em nada, pelo menos no Palmeiras", disse ela na quarta-feira. Os dois dirigentes têm um background do mundo dos negócios e tentam passar a imagem de frieza para tomar decisões estratégicas. É nessa tecla que Bap bateu para justificar por que parece tão irredutível. "Eu não tenho problema nenhum com ela. Eu cresci conhecendo o Palmeiras como Academia do Futebol. Quem gosta de futebol respeita a instituição. Quando você é presidente, como eu sou do Flamengo, você tem que colocar o clube em primeiro lugar", justificou o dirigente, engatando em seguida: "Eu acho que fora de campo, os clubes deveriam ser amigos. A gente deveria conversar. Você faz negócio com quem você não conhece? Não. Alguém achar que vai fazer birra, que vai fazer biquinho, que vai reclamar, espernear e que eu vou mudar o que eu penso por causa disso, boa sorte. Eu sou absolutamente blindado emocionalmente para decisões de negócio. Eu trouxe isso para o futebol". Como o Palmeiras saiu da Libra, os debates devem ficar mais acalorados nas reuniões puxadas pela CBF sobre a formação de uma liga única. O segundo encontro formal sobre o tema acontecerá na próxima segunda-feira. Só que isso não quer dizer pacificação por enquanto. Foi depois da reunião mais recente, inclusive, que Leila verbalizou o "Real Madrid da Shopee" como indireta ao Fla. Bap conseguiu ganhar papel estratégico na Libra este ano. Leila nem sequer estava participando das reuniões nos últimos tempos. Considerando os mandatos atuais, ambos terminam em dezembro de 2027. Mas Bap tem, estatutariamente, direito a tentar reeleição. Leila, não. Ano passado, os dois até posaram para fotos de maneira cordial em evento da Conmebol, por ocasião da final da Libertadores. A cena parece cada mais distante da realidade de 2026.