O pai da esquina

admin
23 May, 2026
Quando eu tinha 7 anos, nós nos mudamos pra Rua 20. A mesma rua que eu moro hoje, aos 53. Toda noite a criançada saia pra rua pra brincar de pique-pega, pique-esconde ou andar de patins. Tinha a vizinha da direita, os da frente e as meninas da casa da esquina. Elas eram em muitas irmãs. Acho que era a maior família da rua toda. Os pais, ficavam dentro da casa, sentados nas cadeiras redondas de ferro com estofado de curvim. Aquelas cadeiras eram a última moda em móveis para alpendre. Meu pai morreu, compramos outra casa, me formei, comecei a trabalhar e um dia me mudei pra rua 20. Ninguém mais mora nas casas, outras famílias vieram. Mas uma pessoa ficou. O pai da casa da esquina permaneceu contra todos os imprevistos que viver pode nos trazer. Quando passo de carro por ali, meu olhar encontra esse patriarca da rua. Ele está lá, impassível diante da vida com a mesma cadeira redonda de ferro e estofado de curvim. Um exemplo do tempo e do desfrutar. Quem passa por ali pode constatar o ensinamento máximo de que viver talvez seja isso: permanecer presente e inteiro enquanto a vida passa. The post O pai da esquina appeared first on O Diário Interativo Online .