Racionais lançam disco neste ano, diz Mano Brown durante show no C6 Fest

admin
23 May, 2026
Que a música dos Racionais MCs é enraizada no soul e no funk não é novidade, mas em seu show solo Mano Brown encurta mais a distância entre o rap e os bailes black. Foi o que ele fez no fim da tarde deste sábado, no C6 Fest. O artista se apresentou às 17h20 na área externa do Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no palco principal do festival, para substituir o cantor americano Dijon, que cancelou sua vinda ao Brasil nas últimas semanas. O dia no C6 Fest ainda teria shows de The xx, Wolf Alice e Matt Berninger. Trajando terno e colete verdes, gravata, black power e óculos escuros estilo aviador, o rapper emendou clássicos dos Racionais em músicas de seu disco solo, "Boogie Naipe", de 2016. O instrumental dançante seguiu num fluxo contínuo, enquanto o MC descarregava rimas indiscriminadamente. "Quem sabe as coisas se encontram. Um sabadão desse, um frio desse. Clima de saudade. Dance. É a proposta da noite. E é um ato político", disse o rapper, acompanhado no palco por mais de uma dezena de dançarinos. Mano Brown já pegou um Ibirapuera sem a chuva que castigou o público no começo da tarde deste sábado. Mas o frio na capital paulista parecia ter atingido a plateia, que mais contemplou do que dançou junto com o maior rapper da história do Brasil. Tão rap quanto soul, o baile black de Brown teve ao mesmo tempo DJ e banda com baixo, guitarras, teclado, percussão e backing vocals. O caldo ainda foi engrossado pelo rapper Rincon Sapiência, que emprestou versos a uma versão acelerada de "Mulher Elétrica" e à nova "Malandros Online". Eles ainda cantaram juntos "Não Sei Pra Onde" e "Ponta de Lança", ambas do MC convidado. Já na reta final do show, o rapper avisou que em breve "tem disco novo" do quarteto de rap de São Paulo. O sucessor de "Cores e Valores", de 2014, deve ser lançado no segundo semestre deste ano. O "Baile do Chefe", como o show foi chamado, chegou ao fim com uma sequência de hits dos Racionais, entre eles as duas partes de "Vida Loka" e o trecho inicial de "Capítulo 4, Versículo 3". A plateia, que passou longe de cantar junto intensamente como acontece nas apresentações do grupo, pelo menos levantou as mãos a pedido dos cantores. Mais cedo, a cantora americana de ascendência ganesa Amaarae sofreu com a chuva em seu show na área externa do auditório. Sem banda nem DJ, ela cantou seu hip-hop multifacetado sozinha, sobre bases instrumentais que nem sempre estavam perfeitamente sincronizadas com sua voz. O público que ainda chegava ao Ibirapuera até ocupou a pista quando a chuva ainda era garoa. Não faltou animação para Amaraae, que no ano passado lançou o elogiado disco "Black Star", mas quando o tempo apertou a plateia, já toda usando capas de chuva, foi deixando o espaço em busca de abrigo. Amaraae se apresentou logo antes do cantor inglês Baxter Dury. Performático, ele distribuiu poses, fez caras e bocas e arrancou aplausos com seu estilo de cantar meio falado e gutural, por cima de uma base de rock alternativo sem guitarras —só com teclado, baixo e bateria. O público não parecia conhecer seu repertório, mas a tenda Metlife, o palco secundário do C6, estava cheia —ajuda que era um local coberto em tempo de chuva. O espaço, aliás, neste ano ficou melhor posicionado, com as árvores que atrapalhavam a visão no fundo da pista. O som da tenda também pareceu mais potente em relação aos outros anos, ao ponto de as câmeras que abasteciam os telões de imagens do palco tremerem com os graves.