Medo de quedas e falta de acessibilidade afetam idosos nas cidades brasileiras

admin
27 May, 2026
Quatro em cada dez idosos que vivem em áreas urbanas afirmam ter medo de cair devido às más condições de calçadas, passeios e vias públicas próximas de casa. O receio é ainda maior entre as mulheres, atingindo 50,5%, enquanto entre os homens o índice é de 31,9%. Os dados fazem parte da terceira etapa do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi-Brasil), divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O levantamento aponta que fatores ligados à infraestrutura urbana influenciam diretamente a autonomia, a mobilidade e o bem-estar da população idosa. O medo de quedas cresce conforme a idade avança. Entre pessoas de 60 a 69 anos, o percentual é de 35,2%. Já na faixa de 70 a 79 anos, sobe para 47,1%, chegando a 63,1% entre idosos com 80 anos ou mais. Segundo a coordenadora do estudo, Maria Fernanda Lima-Costa, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas para cidades mais acessíveis e inclusivas. Entre as prioridades apontadas estão melhorias na mobilidade urbana, segurança viária e acessibilidade. A violência urbana também aparece como fator de preocupação. De acordo com a pesquisa, 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança muito insegura, o que representa cerca de 3,8 milhões de pessoas convivendo com medo constante e vulnerabilidade social. Hipertensão A hipertensão arterial continua entre os principais problemas de saúde da terceira idade. A aferição realizada nas residências dos participantes identificou que 34,4% dos idosos apresentam pressão arterial elevada, equivalente a aproximadamente 11 milhões de brasileiros. A incidência da doença aumenta com o envelhecimento, passando de 31,9% entre pessoas de 60 a 69 anos para 40,1% na população com 80 anos ou mais. O estudo destaca que o acompanhamento regular na atenção básica é essencial para prevenir complicações como AVC, insuficiência renal, infarto e demência vascular. Mobilidade e cuidados O levantamento também revela que 20,4% dos idosos brasileiros têm dificuldades para executar atividades básicas do dia a dia, como tomar banho, se vestir, comer ou levantar da cama. O percentual é maior entre mulheres (23,1%) do que entre homens (17%). As limitações funcionais aumentam com a idade, atingindo 44,2% das pessoas com 80 anos ou mais. Outro dado que preocupa os pesquisadores é a fragilidade da rede de apoio. Apenas 37,9% dos idosos com limitações recebem ajuda para realizar tarefas diárias, enquanto somente 5,8% dos cuidadores informaram ter recebido treinamento adequado para a função. SUS A pesquisa reforça ainda a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) no atendimento à população idosa. Cerca de dois terços dos brasileiros com 60 anos ou mais dependem exclusivamente da rede pública de saúde. A Estratégia Saúde da Família (ESF) acompanha 69,2% dessa população, o equivalente a mais de 22 milhões de pessoas. Para os pesquisadores, o SUS e a ESF são fundamentais para garantir envelhecimento saudável em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas. Painel de indicadores Durante a divulgação do estudo, também foi lançado um painel público de indicadores sobre envelhecimento no Brasil. A plataforma reúne dados detalhados sobre saúde, mobilidade, autonomia e condições de vida da população idosa, com o objetivo de auxiliar gestores públicos, pesquisadores e profissionais da saúde no monitoramento das demandas desse grupo. O Elsi-Brasil integra uma rede internacional de pesquisas sobre envelhecimento e realiza levantamentos periódicos desde 2015. *Fonte: Agência Brasil