Ferrari tenta convencer críticos após estreia de primeiro elétrico e apresenta carro até ao papa; veja vídeo

admin
28 May, 2026
Se a Ferrari queria chamar a atenção do mundo com o Luce, seu primeiro carro totalmente elétrico, a missão foi cumprida —mesmo que boa parte da reação tenha sido de choque e indignação. O novo modelo é um carro familiar de quatro portas e cinco lugares que não se parece em nada com os modelos habituais da marca italiana de carros esportivos e movidos a gasolina. O Luce foi apresentado em um evento de gala em Roma na noite de segunda-feira (25) e mostrado no dia seguinte ao presidente italiano Sergio Mattarella e ao papa Leão 15, um conhecido entusiasta de carros que pareceu feliz em ocupar o banco do motorista. Mas o design, em grande parte obra de profissionais de fora da indústria automobilística —Jony Ive, Marc Newson e seu coletivo LoveFrom— deixou muitos fãs e comentaristas perplexos. Ive foi designer-chefe na Apple e esteve por trás do visual de iPhones e MacBooks As redes sociais estão repletas de memes pouco lisonjeiros, comparando o Luce a um aspirador de pó, a um chinelo de borracha ou ao muito criticado Fiat Multipla, uma minivan dos anos 1990 frequentemente citada entre os carros mais feios do mundo. O vice-primeiro-ministro italiano Matteo Salvini questionou publicamente o que o fundador Enzo Ferrari, que morreu em 1988, acharia do carro. O ex-CEO da Ferrari, Luca Cordero di Montezemolo, disse que o carro deveria perder o emblemático logotipo do cavalo rampante. Os investidores também recuaram. As ações da Ferrari listadas em Milão caíram 8,4% na terça, com um investidor dizendo à Reuters que o papel estava "sendo penalizado por uma decepção estética". A Ferrari não quis comentar a repercussão negativa. TODA PUBLICIDADE É BOA PUBLICIDADE? Felipe Munoz, da Car Industry Analysis, disse que a Ferrari provavelmente antecipou o alvoroço, dada a ruptura deliberada com a tradição, e observou que publicidade negativa ainda é publicidade. "Do ponto de vista de comunicação, eles conseguiram fazer o mundo falar sobre a Ferrari elétrica", disse ele. "Em termos de visibilidade, eles conseguiram, porque não há outro assunto no momento." Munoz descreveu o Luce como um "produto de declaração" —improvável de ser um grande sucesso de vendas, mas fundamental para mostrar tecnologia e reposicionar a empresa na era elétrica. Uma fonte da empresa observou que surpresas anteriores da Ferrari —o FF com tração nas quatro rodas em 2011 e o SUV Purosangue em 2022— também geraram ceticismo antes de venderem bem. Michael Tyndall, analista global do setor automotivo do HSBC, disse que a Ferrari pode ter esperado causar estranheza, mas não provocar uma reação tão forte do mercado. "Há uma sensação, ao ouvir a direção, de que ela se sentiu compelida a assumir um risco, dado que é uma mudança tão grande em relação ao seu DNA central", escreveu ele. "Os pedidos serão o fator determinante para saber se o risco valeu a pena."