IA decifra texto de 3 mil anos escrito em língua morta
31 May, 2026
IA decifra texto de 3 mil anos escrito em língua morta Daniel Schwemer/Universidade de Würzburg Pesquisadores da Alemanha desenvolveram uma ferramenta baseada em inteligência artificial capaz de interpretar inscrições cuneiformes extremamente desgastadas, trazendo à tona informações preservadas em documentos produzidos há cerca de 3 mil anos . O avanço representa um importante passo para os estudos da Antiguidade e pode transformar a forma como arqueólogos e historiadores analisam registros de civilizações antigas.As informações são do History. Batizado de Palaeographicum, o sistema utiliza algoritmos de IA para examinar fotografias digitalizadas de tabuletas de argila e reconstruir fragmentos dispersos de textos históricos. A tecnologia também é capaz de comparar diferentes estilos de escrita cuneiforme e auxiliar especialistas na estimativa da época em que determinados documentos foram produzidos. IA decifra texto de 3 mil anos escrito em língua morta A plataforma já opera com um vasto banco de dados composto por mais de 5 milhões de caracteres extraídos de aproximadamente 70 mil imagens de artefatos arqueológicos. Com isso, tarefas que antes exigiam anos de trabalho manual de especialistas em paleografia e línguas do Antigo Oriente Próximo podem ser realizadas de forma muito mais rápida. Escritura Bored Panda Considerada um dos sistemas de escrita mais antigos da humanidade, a escrita cuneiforme surgiu na Mesopotâmia há mais de 5 mil anos. Os símbolos eram gravados em placas de argila úmida por meio de marcas em formato de cunha e serviam para registrar leis, atividades comerciais, cerimônias religiosas e acontecimentos políticos. Apesar de décadas de pesquisas arqueológicas, grande parte das inscrições descobertas permanece difícil de interpretar. Muitas tabuletas sofreram danos provocados pelo tempo, incêndios, erosão ou fragmentação, o que compromete a leitura dos sinais originais. Para superar esse desafio, os cientistas treinaram o sistema para reconhecer caracteres antigos, inclusive aqueles que aparecem incompletos ou parcialmente apagados. Em alguns casos, a IA conseguiu identificar símbolos quase imperceptíveis ao olho humano. O processo envolve o uso de imagens digitais de alta resolução. A partir delas, o programa analisa padrões gráficos e sugere possíveis interpretações para os sinais encontrados. Segundo os pesquisadores, isso reduz significativamente o tempo necessário para traduzir e contextualizar documentos históricos. Além da leitura de textos antigos, a ferramenta também contribui para a preservação do patrimônio arqueológico. Ao criar versões digitais interpretáveis de documentos frágeis, os estudiosos conseguem preservar informações que poderiam desaparecer devido à deterioração natural dos materiais. O Palaeographicum tem origem no projeto CuKa, desenvolvido entre 2018 e 2023 com financiamento da Fundação Alemã de Pesquisa (DFG). Durante esse período, especialistas catalogaram e anotaram milhares de exemplos de escrita cuneiforme para treinar o modelo de inteligência artificial. De acordo com o professor Daniel Schwemer, da Universidade de Würzburg e um dos responsáveis pelo projeto, o impacto da tecnologia já é perceptível. Segundo ele, a ferramenta permite economizar milhares de horas de trabalho acadêmico e amplia as possibilidades de investigação sobre as primeiras civilizações da história. Mesmo em operação, o sistema continua sendo aperfeiçoado. O pesquisador Gerfrid Müller afirma que novos dados e contribuições de especialistas internacionais são constantemente incorporados ao treinamento da IA, tornando suas análises cada vez mais precisas e ampliando o potencial de descobertas sobre o passado da humanidade.