Metade dos jovens acredita que IA vai facilitar vida amorosa, mostra pesquisa
1 Jun, 2026
Cerca de 50% dos jovens adultos acreditam que as relações afetivas com a inteligência artificial (IA) vão melhorar a felicidade humana na próxima década, segundo uma extensa pesquisa internacional divulgada nesta segunda-feira (1o). O percentual diminui progressivamente nos grupos com idade mais avançada, até chegar a um quarto das pessoas com 55 anos ou mais, segundo o estudo. Os avanços no desenvolvimento da IA levaram as pessoas a recorrerem a chatbots como confidentes e companheiros sentimentais, enquanto os avanços na robótica contribuem para a fabricação de bonecas sexuais cada vez mais sofisticadas, gerando interrogações sobre seu impacto nas relações humanas. A pesquisa, realizada com quase 10.000 pessoas em Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Indonésia e Hong Kong, oferece um instantâneo deste "panorama moral em rápida evolução", segundo a empresa de pesquisas YouGov. Também mostra "uma profunda divisão ideológica entre os mercados ocidentais e os asiáticos", sendo estes últimos aparentemente mais receptivos ao sexo e ao romance facilitados pela tecnologia. Quanto ao apoio emocional, 48% de todos os entrevistados com idades entre 18 e 24 anos e 47% dos que têm entre 25 e 34 anos disseram acreditar que os "companheiros íntimos de IA" - uma categoria que abrange de chatbots a bonecas sexuais - vão melhorar a felicidade humana na próxima década. Quando a mesma pergunta foi formulada concentrando-se na conexão mais profunda e no bem-estar sexual, os números se situaram em 32% e 38%, respectivamente. Em ambos os aspectos, as pessoas com mais idade se mostraram menos otimistas. O impacto psicológico dos chatbots em pessoas vulneráveis tem sido alvo de um estreito acompanhamento nos últimos tempos, depois que algumas famílias relacionaram a morte de vários adolescentes ao uso da IA. Em setembro, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) exigiu que sete empresas, entre elas as gigantes da tecnologia Alphabet, Meta, OpenAI e Snap, lhe fornecessem informações sobre como supervisionam e abordam os impactos negativos dos chatbots concebidos para simular relações humanas. Divisão geográfica A YouGov e a empresa de comunicação que encomendou o estudo, Star X Gen, com sede em Tóquio, declararam à reportagem terem se surpreendido com a disparidade regional. Na Indonésia, 50% das pessoas de todas as idades disseram acreditar que a companhia de uma IA melhoraria a conexão e o bem-estar sexual. O percentual foi de 34% em Hong Kong e de 24% no Japão, diminuindo para 20% nos Estados Unidos, 15% na Alemanha e apenas 9% no Reino Unido. "Enquanto o público ocidental em grande medida considera a intimidade sintética uma ameaça para a autêntica proximidade humana, o público asiático parece cada vez mais disposto a integrar a IA em sua vida pessoal e física", afirmou Philippe Chan, da YouGov. Embora o uso de chatbots para o romance e o sexo esteja se generalizando, sua materialização em robôs ou bonecos se encontra em uma fase mais incipiente. Dos 9.912 entrevistados, apenas 17% afirmaram que pensariam em usar uma "boneca íntima com IA", frente a 59% que disseram que não o fariam. No geral, os adultos mais jovens se mostraram mais propensos que os de mais idade a pensar em experimentar uma boneca, e no Japão e na Alemanha, o número de jovens que pensariam em experimentar uma boneca quase dobrou a média nacional. "Embora a população geral mundial siga se mostrando receosa, a próxima geração está redefinindo ativamente os limites da vida sentimental", acrescenta o informe. No Japão, mais de um terço dos adultos jovens disseram acreditar que as bonecas com IA podiam proporcionar uma sensação de amor, superando em número aqueles que não concordaram com esta ideia.