Alexandre Silveira destaca potencial do Brasil para liderar investimentos globais em data centers e defende avanço do Redata

admin
1 Jun, 2026
247 - O Brasil reúne condições estratégicas para se consolidar como um dos principais destinos mundiais de investimentos em data centers, inteligência artificial e infraestrutura digital. A avaliação foi feita pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, durante o Fórum Jurídico de Lisboa, realizado em Portugal nesta segunda-feira (1o). Ao participar do painel “Desenvolvimento Tecnológico, Data Centers e Soberania Nacional”, Silveira destacou que a expansão da economia digital depende diretamente da capacidade energética dos países e afirmou que o Brasil possui vantagens competitivas relevantes para atrair grandes investidores internacionais. Segundo o ministro, o crescimento do setor já pode ser observado pelos números registrados pelo governo federal. “No ambiente de investimentos do setor elétrico, quando falamos em data centers não falamos apenas em tecnologia. Falamos principalmente de energia, porque energia é o que sustenta a possibilidade de nós avançarmos em investimentos em data centers no Brasil. E estamos avançando fortemente, 38 GW de pedidos de parecer de acesso, 7,1 GW representando R$ 159 bilhões em investimentos nos próximos anos”, declarou. O ministro ressaltou que o país conta com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, elevada participação de fontes renováveis, segurança jurídica e capacidade de expansão do sistema elétrico. Esses fatores, segundo ele, têm ampliado significativamente o interesse de empresas globais do setor de tecnologia e processamento de dados. Dados apresentados pelo MME mostram que os pedidos de conexão para novos projetos de data centers cresceram 330% entre 2024 e 2025. Em dezembro de 2025, a demanda registrada para empreendimentos previstos até 2038 alcançava 28,5 gigawatts (GW). Atualmente, o Brasil possui 205 data centers em operação e projetos em construção que somam mais de R$ 114,5 bilhões em investimentos. Silveira afirmou ainda que a instabilidade geopolítica em algumas regiões do mundo tem levado empresas a buscarem novos destinos para expansão de suas operações. “Eu tenho na minha agenda, no mínimo, três ou quatro grandes companhias mundiais de data center me procurando”, disse. Expansão da infraestrutura energética Durante o debate, o ministro destacou que o governo federal vem implementando medidas para garantir segurança energética e previsibilidade aos investidores interessados em instalar grandes empreendimentos tecnológicos no país. Entre as iniciativas citadas estão os leilões de geração e transmissão de energia, a ampliação da infraestrutura de transmissão elétrica, o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) e a criação da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST). Instituída pelo Decreto no 12.772, a PNAST reformulou as regras de acesso à Rede Básica de transmissão. O novo modelo substituiu o sistema de filas por mecanismos considerados mais transparentes e alinhados ao planejamento da expansão do setor elétrico, além de reduzir entraves burocráticos para novos empreendimentos. A política foi desenvolvida para enfrentar desafios relacionados ao congestionamento de pedidos de conexão, à necessidade de expansão da infraestrutura elétrica e ao aumento da demanda gerada por projetos ligados à transição energética, ao hidrogênio de baixo carbono e aos próprios data centers. Data centers e soberania tecnológica Alexandre Silveira também defendeu que a expansão da infraestrutura digital seja tratada como uma questão estratégica para a soberania nacional. De acordo com ele, a disputa global por inteligência artificial, armazenamento de dados e capacidade de processamento exige não apenas avanços tecnológicos, mas também segurança energética e planejamento de longo prazo. Na avaliação do ministro, o posicionamento geopolítico do Brasil, aliado à sua capacidade de geração de energia renovável, fortalece a atratividade do país para investimentos internacionais e cria oportunidades para ampliar a autonomia tecnológica nacional. O tema, segundo Silveira, está diretamente relacionado ao fortalecimento da capacidade brasileira de armazenar e processar dados em território nacional, reduzindo dependências externas em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico e tecnológico. Ministro reforça apoio ao Redata Ao final do painel, o ministro voltou a defender a aprovação do Redata, proposta que tramita atualmente no Senado Federal por meio do Projeto de Lei no 278/2026. A iniciativa busca estabelecer um regime especial para estimular investimentos em data centers, vinculando incentivos a compromissos relacionados à pesquisa e desenvolvimento, sustentabilidade, uso de energia limpa, transferência de tecnologia e fortalecimento da infraestrutura tecnológica brasileira. O programa teve origem na Medida Provisória no 1.318/2025, que previa a suspensão de tributos sobre equipamentos destinados a data centers mediante contrapartidas ligadas à inovação, sustentabilidade e ampliação da capacidade tecnológica instalada no país. Embora tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados, a medida perdeu validade por não ter sido analisada pelo Senado dentro do prazo constitucional. Para Alexandre Silveira, o Brasil vive uma oportunidade estratégica de transformar suas vantagens competitivas em crescimento econômico, geração de empregos qualificados e fortalecimento da soberania tecnológica. A defesa do Redata integra a estratégia do governo federal de posicionar o país como um polo global de infraestrutura digital, aproveitando sua ampla oferta de energia limpa e renovável para atrair investimentos de longo prazo.