IPO da SpaceX capta US$ 75 bilhões e se torna o maior da história
12 Jun, 2026
A SpaceX, empresa aeroespacial fundada pelo bilionário Elon Musk, oficializou nesta 5a feira (11.jun.2026) a maior abertura de capital de todos os tempos. A companhia fixou o preço de sua oferta pública inicial de ações em US$ 135 por papel, conforme dados atualizados e entregues à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês). Com a colocação de 555,6 milhões de ações ordinárias Classe A, a operação garantiu uma captação bruta recorde de US$ 75 bilhões. O montante joga o valor de mercado da empresa para a faixa de US$ 1,75 trilhão a US$ 1,77 trilhão, consolidando o grupo de Musk como uma das organizações mais valiosas do planeta. Os papéis começam a ser negociados na bolsa eletrônica de Nova York na 6a feira (12.jun.2026). [shortcode-newsletter] O QUE É UM IPO? IPO é a sigla em inglês para Initial Public Offering –ou Oferta Pública Inicial. É o momento em que uma empresa abre seu capital na bolsa de valores pela 1a vez, passando a vender ações para qualquer investidor. Para ser listada nos Estados Unidos, a empresa precisa enviar à SEC um formulário chamado S-1 –uma espécie de “raio-x” do negócio, com informações detalhadas sobre finanças, contratos relevantes, estrutura de governança e riscos. Empresas privadas não têm obrigação de divulgar esses dados ao público; por isso, o IPO costuma revelar informações inéditas e estratégicas. DESBANCANDO A SAUDI ARAMCO O volume financeiro movimentado pela SpaceX pulverizou o recorde global anterior, que pertencia à estatal petroleira Saudi Aramco, cuja estreia no mercado havia levantado US$ 29 bilhões. Por causa do tamanho inédito da transação, o sindicato de bancos que lidera a operação –formado originalmente por Morgan Stanley, Goldman Sachs, JP Morgan e Bank of America– foi ampliado no último prospecto para incluir grandes marcas globais como Citigroup, Barclays e Deutsche Bank. Para o mercado local, o BTG Pactual atua como um dos braços na distribuição internacional da oferta. No entanto, seguindo as diretrizes normativas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o acesso direto aos papéis em território brasileiro ficou restrito aos investidores qualificados e profissionais. Elon Musk vem defendendo a participação de mais investidores individuais na distribuição das ações. Segundo veículos de imprensa dos EUA, o bilionário avalia destinar até 30% da oferta para os chamados investidores de varejo, principalmente em países europeus. A prática é incomum, sobretudo para uma IPO desse porte, que costuma destinar cerca de 5% a 10% das ações para esse tipo de investidor. O objetivo é ampliar o acesso à empresa por pessoas físicas. A avaliação da empresa é que a base de fãs de Musk pode ajudar a estabilizar as ações após a alta procura da estreia. COMO FICARÁ O CONTROLE DA SPACEX Elon Musk deve seguir com controle quase integral da empresa. O homem mais rico do mundo vai manter 82% do poder de voto na companhia por meio de ações Classe B, que dão 10 votos cada no Conselho de Administração. O bilionário vai controlar 93,6% desses papéis, que ficarão restritos a um pequeno grupo de acionistas. Os acionistas de Classe B têm direito de eleger a maioria dos diretores (51%). Ao deter a maioria dessas ações, Musk poderá indicar, remover ou preencher vagas da diretoria da empresa. As ações Classe A são as que serão ofertadas ao mercado nesta semana. Cada uma dá direito a 1 voto nas decisões da empresa. O IPO está sendo coordenada por um grupo de 21 bancos liderado pelo Goldman Sachs. Integram a iniciativa instituições como Morgan Stanley, Bank of America, Citigroup e o brasileiro BTG Pactual, além de bancos tradicionais europeus como Barclays, Deutsche Bank, RBC e UBS. Os bancos coordenadores poderão realizar um over-allotment de 15%. A prática consiste em vender um número de ações maior do que o inicialmente planejado pela empresa. O lote extra serve para atender à alta demanda dos investidores e assegurar estabilidade do preço do ativo na bolsa. De olho em comissões que podem atingir US$ 500 milhões, as instituições financeiras dos EUA vêm conduzindo nas últimas semanas apresentações para vender o negócio para todos os tipos de clientes: de gestores gigantes de investimento a investidores individuais em diversas partes do mundo. METAS AMBICIOSAS No documento enviado à SEC, a SpaceX detalha uma série de planos para os próximos anos. A companhia, que se fundiu em fevereiro com a xAI, também de Musk, atua em 3 frentes: operações aeroespaciais, internet e satélites, e inteligência artificial. Ao SEC e aos investidores, a empresa está apresentando o que chama de "o maior mercado total endereçável acionável na história da humanidade", estimado em US$ 28,5 trilhões. A partir da abertura de capital, a companhia pretende desenvolver processamento de dados em órbita, expandir seu negócio de comunicação sem fio para celulares via satélite, aumentar a produção de chips de IA, construir bases na Lua e, futuramente, colonizar Marte. Leia as principais metas para cada segmento: Operação aeroespacial – utilizar o foguete Starship para transportar pessoas e cargas ao espaço e estabelecer presença humana e comercial sustentada na Lua, com criação de fábricas para produzir satélites de computação de IA. A longo prazo, a empresa também tem planos de estabelecer uma colônia humana permanente em Marte com pelo menos 1 milhão de habitantes; Satélites e internet – expansão da Starlink, rede de internet via satélite criada pela SpaceX. Lançamento de satélites de nova geração, com capacidade de transferência de dados de 1 Tbps (terabits por segundo). O plano é eliminar as "zonas mortas" de celular em todo o mundo; Inteligência artificial – treinamento do Grok até que a IA alcance o patamar de trilhões de parâmetros –a "memória" e as conexões que o modelo utiliza para raciocinar e gerar respostas. Em colaboração com Tesla e Intel, a SpaceX planeja projetar e fabricar seus próprios chips de IA para otimizar a performance e evitar escassez de hardware. A empresa também pretende desenvolver centros de processamento de dados em escala orbital.