Chevrolet Sonic 2027 mostra qualidades, mas não consegue esconder origem

admin
12 Jun, 2026
Resumo A Chevrolet finalmente lança o Sonic 2027, SUV compacto que a coluna antecipou em fevereiro de 2023. Depois do primeiro contato com a versão RS, vendida por R$ 135.990, ficou uma impressão bastante clara: a GM conseguiu criar um produto com identidade visual própria, mas não conseguiu esconder que ele nasceu do Onix. Isso aparece logo nos primeiros minutos ao redor do carro. A dianteira é completamente nova. Capô, para-choque e conjunto óptico foram redesenhados e deram ao Sonic uma aparência mais próxima de um SUV. A traseira também recebeu atenção especial, com lanternas interligadas por uma barra iluminada e uma solução que elevou o assoalho do porta-malas para criar uma silhueta mais robusta. Se na dianteira, a General Motors conseguiu disfarçar a origem do Sonic, de lado a história se complica: basta olhar as linhas laterais para perceber de onde ele veio. Portas, retrovisores e boa parte da estrutura são do Onix, hatch mais vendido da marca no mercado brasileiro. Por dentro, a sensação é ainda mais evidente. Painel, volante, quadro de instrumentos, central multimídia e até os bancos são praticamente os mesmos do Onix. Na versão RS, a Chevrolet adicionou detalhes vermelhos nas costuras, saídas de ar e cintos de segurança para criar uma atmosfera mais esportiva, mas a arquitetura interna permanece inalterada. Isso não chega a ser um defeito. O Onix sempre teve boa ergonomia e o Sonic herda essa característica. Todos os comandos ficam próximos das mãos e dos olhos do motorista, a posição de dirigir agrada e os bancos oferecem bom apoio para o corpo. O que incomoda é a falta de espaço para objetos. O console central é pequeno, os porta-objetos são limitados e até acomodar um smartphone pode exigir algum malabarismo dependendo da situação. No banco traseiro, não existe milagre. O entre-eixos continua sendo de 2,55 metros, exatamente o mesmo do Onix. Com isso, o espaço acomoda bem dois adultos, mas três ocupantes atrás viajarão com conforto bastante comprometido. Também fazem falta alguns itens que já começam a se tornar comuns na categoria, como saída de ar-condicionado para a segunda fileira e portas USB-C. Ao volante, porém, o Chevrolet Sonic mostra seus melhores argumentos. A suspensão recebeu um acerto próprio e filtra muito bem as imperfeições do piso. Durante o primeiro contato, o SUV passou tanto por asfalto quanto por trechos mais deteriorados sem comprometer o conforto. O conjunto mecânico também agrada. Apesar de utilizar o conhecido motor 1.0 turbo flex de três cilindros, o Sonic traz injeção direta de combustível. São 115 cv e até 18,9 kgfm de torque trabalhando em conjunto com um câmbio automático de seis marchas que se mostrou bem calibrado durante a avaliação. As respostas são rápidas e o motor entrega desempenho suficiente para o uso diário. Ainda assim, quando a comparação é feita com alguns concorrentes, os números ficam atrás de modelos como Renault Kardian e Fiat Pulse. No fim das contas, o Chevrolet Sonic 2027 deixa uma impressão positiva. Ele é confortável, bem equipado, agradável de dirigir e tem um visual que consegue se diferenciar do hatch que lhe deu origem. Mas também é impossível ignorar que ele é descendente direto do Onix. Por isso, a marca erra a mão, ao afirmar que ele é um SUV Coupé. Talvez por isso a principal discussão não seja se o Sonic é um bom carro — porque ele é. A verdadeira questão é saber se o consumidor enxergará valor suficiente para pagar até R$ 135.990 em um SUV que, em muitos aspectos, continua carregando o DNA do compacto mais vendido da Chevrolet. No pontapé inicial, ele se saiu bem com 14 mil pedidos, a marca não abriu quantas unidades foram para vendas diretas. Mas será que ao fim do fator novidade, ele seguirá com bons números de vendas? Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.