Telebras planeja roaming entre RCPs do projeto Comunidades Conectadas
16 Jun, 2026
Redes celulares privativas (RCPs) que compõem o projeto Comunidades Conectadas poderão contar com roaming no futuro. A Telebras estuda implementar um core centralizado para permitir essa funcionalidade, informa o presidente da entidade, Hermano Albuquerque, em conversa com o Mobile Time. Atualmente, cerca de 4 mil pessoas de 18 comunidades no interior do Brasil são beneficiadas com acesso à Internet 4G graças ao projeto criado pelo Ministério das Comunicações (MCom) e executado pela Telebras. São comunidades rurais, com população entre 300 e 1 mil habitantes, de baixa renda e que até então não contavam com sinal de telefonia celular, nem com Internet fixa. A maioria delas está localizada na Bahia e no Maranhão. Em cada uma, foi instalada uma RCP 4G em 700 MHz, com core embutido. A frequência é usada em caráter secundário, e o backhaul é feito via satélite, através de capacidade satelital contratada pela Telebras. Em cada comunidade, são distribuídos até 600 SIMcards para acesso gratuito à Internet via 4G. Um líder comunitário se encarrega da distribuição. Os SIMcards não estão associados a um número telefônico e, portanto, não são capazes de realizar ou receber chamadas com a rede pública, mas permitem conexão de dados. A população beneficiada consegue se comunicar por voz usando serviços over the top (OTT), como o WhatsApp, por meio de números de chips comprados em alguma cidade próxima. Hoje, em razão de cada RCP ter um core local próprio, os beneficiados pelo projeto não conseguem acessar a Internet quando visitam outra comunidade integrante do programa. A instalação de um core centralizado vai viabilizar o roaming entre as comunidades, explica Albuquerque. Comunidades Conectadas e seu impacto social O presidente da Telebras destaca o impacto social positivo do projeto, como facilitar a chamada de socorro em casos de emergência e viabilizar pagamentos por Pix. “O projeto impacta pessoas simples que não tinham conectividade na sua comunidade. Para fazer um Pix, elas precisavam ir para uma cidade grande. Agora, conseguem pagar com Pix dentro da sua comunidade”, exemplifica. Albuquerque reconhece que, além do roaming, há outros pontos que precisam ser aprimorados. Um deles é prover mais orientação à população local sobre como proceder com a configuração do SIMcard. Outro é proteger a carretinha onde fica instalada a ERB. “A carretinha costuma ficar em uma praça. São comunidades pequenas, nas quais circulam animais, como vacas e jumentos. Já houve caso de animal que foi coçar as costas no painel solar. Tem que melhorar a proteção física da carretinha”, relata. Expansão do projeto A Telebras aguarda que o MCom prepare a lista de novas comunidades a serem atendidas pelo projeto. Albuquerque espera que a iniciativa seja reconhecida como um programa de Estado, não de governo, para que tenha continuidade independentemente dos resultados eleitorais. “Todos os prefeitos e vereadores pedem que o projeto seja instalado em suas comunidades. Não se trata de projeto de um partido ou de outro. O impacto social é muito grande”, argumenta. Foto no alto: Comunidade conectada pelo projeto do MCom e Telebras (Crédito: Divulgação)