Dois velhos conhecidos e uma surpresa: os 3 pilares da volta de Hamilton

admin
18 Jun, 2026
Dois velhos conhecidos e uma surpresa: os 3 pilares da volta de Hamilton Resumo Quando Lewis Hamilton assinou com a Ferrari ainda no início de 2024, para estrear em 2025, falava-se que ele, diferentemente do que Michael Schumacher tinha feito, estava indo sozinho, sem trazer consigo nomes de confiança que poderiam lhe ajudar a tirar a scuderia de um longo período sem vitórias. Mas isso não é exatamente verdade. Primeiro, Hamilton acabou de vencer sua primeira corrida pela Ferrari, e é o primeiro a dizer que ainda há muito trabalho pela frente para eles poderem pensar em campeonatos. Mas também é verdade que não foi um resultado isolado: desde o início do ano, ele esteve mais confortável, foi cada vez conseguindo resultados melhores, e a conquista do GP da Espanha mais um passo natural nessa jornada. E dois grandes aliados de Hamilton são fundamentais para isso. Um terceiro elemento era desconhecido para ele até este ano, e lá estava dividindo o pódio com ele na Espanha. Pilar 1: O engenheiro que convenceu Hamilton O primeiro personagem é Loic Serra, diretor técnico de chassi da scuderia. Desde a contratação de Hamilton, ele é citado como a pessoa que convenceu Hamilton de que o projeto ferrarista tinha condições de ser vencedor. Hamilton e o engenheiro Serra trabalharam juntos na Mercedes desde a chegada do britânico por lá e estabeleceram uma relação de muita confiança. Em julho de 2023, a Ferrari anunciou que tinha se acertado com o francês para a temporada 2025. Ou seja, ele chegou junto com Hamilton, mas tinha se comprometido com o projeto meses antes. Nenhum dos dois pôde fazer muita diferença no carro da primeira temporada, algo que Hamilton apontou como fundamental para explicar a diferença entre 2025 e 2026. Acho que passei de uma temporada correndo em um carro que herdei, sem poder contribuir em nada, para um carro em que pude contribuir. Há elementos no carro que eu pedi e a equipe ouviu, o que tem sido ótimo. Colaboração de muitos, muitos, muitos elementos diferentes, todos se unindo. Lewis Hamilton Pilar 2: O chefe que compra as brigas Serra tinha sido convencido por outro aliado de Hamilton, Fred Vasseur, chefe que chegou na Ferrari em dezembro de 2023. Pela velocidade da contratação de alguém que tinha uma posição bem alta na Mercedes, dá para deduzir que Loic estava no topo da lista de recomendações de Vasseur. O chefe da Ferrari é um velho conhecido de Hamilton. Foi seu chefe, também, na GP2, atual F2 e, desde então, eles mantiveram contato. Se Serra está ouvindo o retorno de Hamilton para projetar o carro, Vasseur está comprando brigas políticas para ele internamente. A mais famosa delas, trocar o disco de freio para uma marca com a qual a Ferrari não tem parceria técnica. Foi algo feito a partir do GP do Japão e que ajudou na confiança de Hamilton - de lá para cá, foram três pódios em cinco corridas. Além disso, Vasseur atua como um escudo. Não só para Hamilton, como para toda a equipe, sempre tendo que lidar com muito mais pressão do que outros times. Com isso, o francês deu o suporte interno para um ano de adaptação que foi muito mais difícil que o próprio Hamilton imaginava. Pilar 3: O elemento surpresa Mas houve outra decisão importante de Vasseur: a mudança do engenheiro de pista de Hamilton. Era algo tão imperativo que foi feito mesmo com o substituto pensado para a vaga, Cédric Michel-Grosjean, vindo da McLaren e ainda não disponível para assumir. E que, no final das contas, acabou saindo melhor que a encomenda. Carlo Santi assumiu como interino e a relação deu tão certo que foi ele o escolhido para receber o troféu de construtor pela vitória na Espanha. Ele meio que substituiu o meu engenheiro este ano, entrando de cabeça e se dedicando totalmente a mim. A gente não se conhecia, nunca tínhamos conversado e eu não sabia quase nada sobre ele. Aí nos encontramos e acho que nos demos bem de cara. Mas é ótimo poder me conectar com um engenheiro diferente do que eu tinha antes. Sabe, eu tive essa conexão por tanto tempo e aí você meio que perde esse sentimento porque agora o (seu ex-engenheiro) Bono está fazendo isso com o Kimi (Antonelli). É muito bom poder compartilhar essa experiência com ele, e também, provavelmente, ele é muito, muito quieto. Dá para perceber que é difícil para ele expressar as emoções. Ele só fica sorrindo e, sabe, eu dou esses abraços apertados nele, o puxo para perto e digo obrigado. Gosto de pensar que isso provavelmente reacendeu o amor que ele tem por ser engenheiro, assim como ele tem por mim como piloto. Lewis Hamilton sobre Carlo Santi Então não, Hamilton não foi sozinho para a Ferrari. E sua recuperação - e da Ferrari também - conta com três pilares importantes para a construção da base de um edifício que estamos começando a ver subir agora. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.