Direita entra em parafuso e racha sobre impacto dos vídeos de Michelle
26 Jun, 2026
Direita entra em parafuso e racha sobre impacto dos vídeos de Michelle Resumo A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou o dia de ontem tentando mensurar o impacto dos vídeos de Michelle Bolsonaro no eleitorado de direita. Campanhas de rivais que correm no mesmo segmento, o da oposição a Lula, também dedicaram boa parte do dia não só a entender como as palavras da ex-primeira-dama afetaram a imagem do principal opositor do presidente até agora, mas também a tentar coreografar os próximos passos da madrasta do 01. O saldo? Uma barafunda de opiniões, análises e dados que vão de encontro uns aos outros. A direita entrou em parafuso. Análise encomendada à maior empresa de monitoramento digital do mundo apontou um desgaste de Michelle entre o eleitor bolsonarista raiz, clássico, que teria rechaçado o relato da ex-primeira-dama, em sua maioria. A coluna teve acesso aos dados, que também chegaram e foram analisados pela pré-campanha de Flávio. Uma onda de apoio ao 01 teria alcançado 54% das menções no ambiente digital, com militantes bolsonaristas cobrando unidade da direita diante de Lula e o fim das hostilidades. Mas cerca de 26% das postagens que circularam foram abertamente "anti-Flávio". Um grupo ainda mais engajado, de evangélicos e mulheres, mas pouco significativo percentualmente (2%), pegou em armas pela ex-primeira-dama. "Michelle é exemplo de mulher que não se cala diante do machismo, mesmo dentro da própria família", é uma das frases destacadas no estudo. O mesmo levantamento chegou a estrategistas de pré-campanhas no campo da oposição a Lula, como a de Ronaldo Caiado (PSD-GO). Os integrantes desse núcleo avaliam que o estudo focou apenas na bolha bolsonarista, ignorando o efeito do vídeo em indecisos, eleitores de centro e —principalmente— o fato de que Michelle não parece dar ponto sem nó. Os concorrentes de Flávio na direita veem a madrasta do 01 se movimentando não só para ter protagonismo, mas para se afirmar como opção ao filho mais velho de Jair Bolsonaro se a candidatura dele naufragar antes mesmo do registro formal. Uma ala do PL sonha com Michelle candidata, por entender que ela entra em nichos onde os homens da família têm mais dificuldade, como o eleitorado feminino. No Planalto, o próprio Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, analisou o material. "Michelle fala bem", ele anotou a auxiliares, "direciona um conteúdo muito palpável para mulheres e deixa Eduardo Bolsonaro em lençois ainda mais sujos que os de Flávio". Aliás, também houve um esforço para evitar que o ex-deputado federal ampliasse a confusão. Eduardo foi aconselhado a não responder para "não dar a Michelle o que ela quer". Expressões como "vitimismo" e "mimimi" foram fartamente utilizadas. Se nos vídeos em resposta à madrasta Flávio usa tom ameno e conciliador, nos bastidores o que se desenrola é exatamente o que parece: uma guerra aberta. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.