Corinthians vira alvo de representação no MPF por possíveis irregularidades financeiras

admin
26 Jun, 2026
Corinthians vira alvo de representação no MPF por possíveis irregularidades financeiras O Corinthians passou a ser alvo de uma representação protocolada no Ministério Público Federal (MPF) que solicita a abertura de uma investigação para apurar possíveis irregularidades contábeis, fiscais e de governança na administração financeira do clube. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada pelo Meu Timão. O documento foi protocolado na última quinta-feira pelo promotor de Justiça Criminal de São Paulo, Cassio Roberto Conserino. Na representação, ele solicita que o MPF analise se eventuais inconsistências nas contas do Corinthians podem ter afetado recursos e interesses da União, especialmente em razão da participação do clube em programas federais e de operações envolvendo órgãos públicos. Entre os pontos citados estão a participação do Timão na Timemania e no Profut, benefícios fiscais concedidos ao clube, operações com a Caixa Econômica Federal e o acordo de renegociação de dívidas tributárias firmado em fevereiro deste ano com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O promotor também pede que o Ministério Público Federal avalie a adoção de medidas judiciais caso sejam constatadas irregularidades, incluindo a responsabilização dos envolvidos e providências para proteger recursos públicos eventualmente relacionados ao clube. A representação tem como base relatórios de auditorias independentes, entre eles o elaborado pela Ernst & Young, que apontaram diversas ressalvas nas demonstrações financeiras do Corinthians. Os principais questionamentos envolvem a contabilização de despesas, a transparência das contas, a situação financeira da Neo Química Arena e o cumprimento das exigências previstas para programas federais. Demonstrações financeiras em xeque Um dos principais focos do documento são as demonstrações financeiras do clube. Segundo a representação, despesas e dívidas referentes a exercícios anteriores teriam sido registradas posteriormente, o que, na avaliação do promotor, pode ter alterado o resultado financeiro apresentado em 2024 e comprometido a comparação entre os balanços dos últimos anos. A auditoria também levantou dúvidas sobre a capacidade de continuidade das atividades do Corinthians caso a situação financeira não apresente melhora, cenário que, segundo a representação, pode afetar credores e até programas federais dos quais o clube participa. Outro ponto destacado é que as demonstrações financeiras de 2025 foram aprovadas pelo Conselho Deliberativo em abril deste ano, mesmo com pareceres contendo ressalvas de órgãos internos do clube. O balanço, vale lembrar, apresentou déficit de R$ 143,4 milhões. O documento ainda dedica atenção aos programas federais dos quais o Corinthians faz parte. Em relação à Timemania, o promotor argumenta que, por envolver recursos públicos, o programa exige critérios rigorosos de transparência na prestação de contas. Já sobre o Profut, a representação sustenta que a aprovação das demonstrações financeiras com ressalvas pode indicar o descumprimento de exigências relacionadas à governança e à transparência previstas pelo programa. A composição do Conselho Fiscal também é alvo de questionamentos. Segundo a representação, a independência do órgão estaria comprometida porque seu presidente, Haroldo Dantas, é advogado pessoal e mantém relação de amizade com o mandatário da diretoria, Osmar Stábile. O documento argumenta que, nessas condições, Dantas estaria analisando as contas de um dirigente com quem possui vínculo profissional e pessoal, o que configuraria uma irregularidade administrativa e poderia comprometer a autonomia do CF. Neo Química Arena também é alvo A situação da Neo Química Arena aparece entre os principais pontos abordados no documento. A representação menciona o financiamento contratado junto à Caixa Econômica Federal, que ainda teria saldo devedor aproximado de R$ 642 milhões. De acordo com a auditoria utilizada como base pelo promotor, faltam informações sobre a estrutura financeira do estádio, o que dificultaria a avaliação do patrimônio relacionado à Arena e das garantias oferecidas no financiamento. O documento também afirma que o Corinthians não apresentou demonstrações financeiras consolidadas envolvendo os fundos ligados ao estádio, o que impediria uma visão completa da situação patrimonial do clube. Além disso, um dos relatórios mencionados aponta possíveis irregularidades em contratos relacionados à Neo Química Arena, incluindo pagamentos a empresas não previstas inicialmente e ausência de documentação para justificar parte dos serviços executados. A representação ainda solicita que o MPF verifique se o Corinthians continua atendendo aos requisitos necessários para manter benefícios fiscais federais, como as isenções de IRPJ e CSLL. Segundo o promotor, eventuais inconsistências nas contas e pagamentos a dirigentes podem influenciar essa análise. Outro ponto citado envolve o acordo firmado com a PGFN para renegociação de uma dívida tributária estimada em cerca de R$ 593 milhões. Conforme a representação, os efeitos contábeis desse acordo foram registrados nas demonstrações financeiras de 2025, embora a negociação tenha sido concluída oficialmente apenas em 2026, procedimento que, segundo o promotor, pode ter impactado o resultado financeiro daquele exercício. O documento também menciona investigações já existentes no Ministério Público Estadual e na Polícia Federal, incluindo um inquérito na Justiça Federal relacionado a operações envolvendo a Neo Química Arena, além de denúncias criminais contra dirigentes e ex-dirigentes do clube, algumas já recebidas pela Justiça. Ao final da representação, Cassio Roberto Conserino solicita que o Ministério Público Federal reúna informações junto à Receita Federal, à Caixa Econômica Federal e à PGFN, além de determinar a realização de uma perícia contábil independente para aprofundar a análise das demonstrações financeiras do Corinthians. Até o momento, o MPF ainda não informou se instaurará procedimento para analisar os pedidos apresentados na representação.