Para comunidade japonesa em São Paulo, jogo contra o Brasil opõe pátria a país que a acolheu

admin
29 Jun, 2026
Para comunidade japonesa em São Paulo, jogo contra o Brasil opõe pátria a país que a acolheu Alan Saito decidiu vestir as camisas do Brasil e do Japão para assistir ao confronto entre o país de origem de seus avós e o seu próprio nesta segunda-feira pela Copa do Mundo. A camisa do Japão ficou por cima, mas ele também tinha o rosto pintado de amarelo e verde. "Nossos corações estão divididos", disse Saito, um influenciador digital de 47 anos da área de publicidade, enquanto assistia à partida em um restaurante familiar muito popular entre a comunidade japonesa de São Paulo. "Se o Japão vencer, tudo bem. Se o Brasil vencer, tudo bem também", acrescentou, antes de prever uma vitória do Brasil por 2 x 1 -- cravando o resultado do jogo. Há cerca de 2 milhões de pessoas de ascendência japonesa vivendo no Brasil, mais da metade delas em São Paulo, onde muitas famílias se estabeleceram no início do século 20 para suprir a escassez de mão de obra nas plantações de café. A extensa comunidade japonesa de São Paulo é a maior fora do Japão. Muitos membros da comunidade local de Okinawa moram no bairro de Vila Ema, local da reunião para assistir ao jogo desta segunda-feira no restaurante. Decorado com bandeiras brasileiras e japonesas, o estabelecimento recebeu cerca de 30 torcedores de três gerações diferentes. A maioria vestia as icônicas camisetas amarelas do Brasil, torcendo pelo sexto título do país na Copa do Mundo, e comeu pastel, um dos pratos favoritos na culinária dos bares nipo-brasileiros. EMOCIONALMENTE COMPLICADO Sentados no restaurante, Andresa Yumi Tacacura, de 33 anos, e seu companheiro Rafael Miyasato, de 35, concordaram que a partida foi mais emocionalmente complicada do que a maioria. Ambos são nipo-brasileiros de terceira geração que haviam morado no Japão por seis anos antes de voltarem para o Brasil. "Apoiamos o Brasil em 70% e o Japão em 30%", disse Miyasato em português, segurando o filho de três meses no colo. Os gritos de "Vai, Brasil" e "Vai, Nipo" se misturaram assim que a bola começou a rolar. Logo em seguida, uma surpresa: o Japão marcou primeiro. O restaurante ficou em silêncio, indicando que talvez as torcidas não estivessem divididas de maneira tão equilibrada, embora um punhado de torcedores com camisetas azuis do Japão tenha soltado breves gritos de felicidade. Satika Yonamine, uma okinawana de 73 anos que mora no Brasil há cinco décadas, estava entre eles. "Estou torcendo pelo Japão só porque minha filha está torcendo pelo Brasil", explicou, brincando. TUDO PARTE DO JOGO A alguns quilômetros de distância, no bairro da Liberdade, lanternas japonesas dividiam a calçada com dezenas de bandeiras do Brasil. Os bares locais estavam lotados de torcedores vestindo camisetas tanto do Brasil quanto do Japão. Sentado em um bar, o aposentado Yushi Tokimatsu, de 65 anos, usava uma camisa floral com padrões brasileiros por cima do uniforme do Japão. Quando o segundo tempo da partida começou, com a seleção brasileira acelerando o ritmo e empatando, Tokimatsu disse que parte dele torcia para que o Japão vencesse porque achava que a seleção brasileira não iria muito longe desta vez. "Prefiro que eles sejam eliminados agora e tentem novamente na próxima vez", disse. Mas então, já nos acréscimos, o Brasil marcou novamente e garantiu a vitória. Tokimatsu se levantou e comemorou com todo mundo, sorrindo enquanto posava para uma foto com torcedores brasileiros segurando a bandeira nacional. "Não estou chateado", disse. "Faz parte do jogo."