Caso Gritzbach: Vídeos mostram bate-boca entre promotor e advogados em júri
29 Jun, 2026
Caso Gritzbach: Vídeos mostram bate-boca entre promotor e advogados em júri Resumo Imagens obtidas pela coluna mostram a troca de provocações e bate-boca entre os advogados de defesa e a promotoria durante o júri popular dos três PMs acusados de matar o delator do PCC Antonio Vinicius Lopes Gritzbach. O júri foi anulado e remarcado para fevereiro de 2027 após os defensores deixarem o plenário. Em determinado momento do julgamento, os advogados dos PMs perguntam se o promotor do caso, Rodrigo Merli, deseja combinar uma versão com uma testemunha —o perito criminal Leandro Santos Lopes, que atuou na coleta de materiais genéticos no local do crime. Os defensores afirmaram que Lopes se encontrou com Merli semanas antes do júri. "O senhor quer cinco minutinhos para falar com ele? Eu vou até no banheiro se o senhor quiser conversar de novo. Quer conversar? Imagina se fosse o advogado falando com a testemunha? Sairia preso do plenário. Outro trecho mostra os advogados de defesa dos PMs interrogando Lopes, quando Merli começa a andar próximo ao depoente. "O que é isso, doutor?", diz um dos defensores. Na sequência, outros membros da banca de defesa se levantam e acusam o promotor de provocação. "Tá com gracinha aqui." "O senhor conversa com bandido, eu converso com polícia.Com matador de aluguel, o senhor conversa", declara Merli aos defensores. Um advogado, então, afirma ao juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo que não irá admitir tal conduta contra a advocacia. "Esse sujeito [Rodrigo Merli] é habituê em não respeitar nada, nem ninguém. (...) Todos os advogados que eu encontro aqui no corredor falam da mesma postura do sujeito e eu não vou admitir desrespeito à advocacia. Da próxima vez, eu devolvo a palavra à sua excelência e vou embora. Eu não estou aqui para ser desrepeitado por um sujeito que acha que é superior só porque é mais velho do que eu", apontou um defensor. Durante o júri, o advogado Claudio Dalledone chamou o promotor de "folgado" e falou que ele responderá às provocações à altura. "Isso é ceninha", acrescentou, em relação a atitude de Merli. Em outro trecho, Dalledone afirma que Merli é "folgado, deselegante, com carinha de cínico, [e estava] encarando como se eu tivesse algum tipo de receio". "Coloque-se no seu lugar, rapaz", adicionou. Então, os advogados de defesa solicitam que o magistrado exija que o promotor não se aproxime dos defensores. "Vamos seguir com educação e com respeito", declara Camargo. O clima piorou quando o promotor questionou o capitão da Corregedoria da Polícia Militar Manoel Flavio de Carvalho Barros, sétima testemunha daquele dia, sobre um atentado a tiros contra Mauro Ribas, um dos advogados de defesa, no começo de 2025 em Sorocaba (SP). O bate-boca escalou por alguns minutos com troca de ofensas de ambos os lados. Os advogados falaram que Merli estava atacando a advocacia e trazendo elementos que não estavam nos autos do processo. Após ser questionado por um defensor, Barros declarou nunca ter visto o promotor. Advogados ecoaram gritos de "covarde" para Merli e afirmaram que o promotor não tinha conhecimento do processo. O promotor afirmou que ficaria no júri, ao contrário dos colegas que decidiram deixar o plenário. "Mentiu descaradamente, esse covarde, mentiroso", disse um dos defensores. Como o UOL mostrou, após quase 9 horas, o júri popular dos três PMs acusados de matar o delator, em novembro de 2024, foi anulado. Ao todo, sete de 21 testemunhas já haviam sido ouvidas no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. Familiares do motorista de aplicativo morto no ataque a Gritzbach, Celso Araújo Sampaio Novaes, acusaram os defensores dos PMs de agirem visando cancelar o julgamento. O que diz a defesa dos PMs Em entrevista à coluna, Dalledone declarou que, desde o início, o promotor adotou postura que indicou que ele estava no júri para tumultuar. Ele classificou como um "truque rasteiro e jogo baixo" afirmar que os advogados conversavam com bandidos e matadores de aluguel, e apontou que Merli já está acostumado a atacar defensores e a advocacia. "Conosco ali ele encontrou uma resistência e vai encontrar resistência até o final desse processo ou de outros tantos processos que nós tivermos que enfrentá-lo em Guarulhos", acrescentou. A banca de advogados está avaliando quais medidas deve tomar contra Merli. Segundo Dalledone, todas as solicitações da promotoria contra os defensores não foram aceitas pelo juiz do caso. Não adianta ele [Merli] querer se fazer de vítima agora, e ainda continuar falando que somos advogados tiktokers. Eu nunca fui tiktoker, não serei, sou advogado de verdade e milito há 31 anos na tribuna. Ele sabe exatamente quem eu sou. Nós não iremos recuar nem um milímetro pela e para a advocacia. Com a nossa equipe, nele não terá vez, não terá voz e encontrará um enfrentamento à altura. Ele que passe a ter um pouco de educação porque conosco aqui ele não vai arrumar nada. Claudio Dalledone, à coluna A coluna tenta contato com o MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) para saber se o órgão deseja comentar o caso. O texto será atualizado tão logo haja manifestação. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.