Petrobras e CNPq darão bolsas científicas a 1,5 mil jovens negras

admin
1 Jul, 2026
247 - A Petrobras e o CNPq firmaram uma parceria inédita para conceder bolsas de iniciação científica a 1,5 mil jovens negras durante os três anos do ensino médio, em uma iniciativa voltada à inclusão, à formação de talentos e ao fortalecimento das carreiras ligadas à ciência e à energia. Gerente geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Transição Energética e Sustentabilidade da estatal, Roberta Alves Mendes, e o presidente do CNPq, Olival Freire Júnior, assinaram nesta terça-feira (30), em Brasília, o acordo do Projeto Inspiração, que receberá cerca de R$ 32 milhões da estatal. O relato foi divulgado pela Agência Petrobras. A iniciativa vai priorizar alunas pretas e pardas do ensino médio regular em situação de vulnerabilidade social. O objetivo é estimular a formação nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, conhecidas pela sigla STEM, além de aproximar estudantes de pesquisas ligadas ao desenvolvimento da indústria de óleo, gás e energia no Brasil. O projeto também acompanhará indicadores como frequência, aproveitamento, produtividade e evasão. A Petrobras e o CNPq pretendem usar esses dados para avaliar o impacto educacional e científico da iniciativa em uma agenda voltada à formação de talentos e à inclusão no setor energético. Bolsas de R$ 550 durante o ensino médio O Projeto Inspiração parte de um diagnóstico crítico sobre a formação em STEM no Brasil. O levantamento aponta baixo desempenho educacional, evasão e participação reduzida de estudantes em cursos considerados estratégicos para a inovação. Como resposta, a parceria prevê o financiamento de bolsas de iniciação científica ao longo dos três anos do ensino médio. As estudantes selecionadas receberão auxílio mensal de R$ 550. As bolsistas deverão criar currículo Lattes, desenvolver artigos e apresentar seus trabalhos todos os anos. O CNPq lançará edital para universidades com linhas de pesquisa ligadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Agenda 2030. Entre os temas previstos estão organização e transformação de ideias em inovação, produção de energia de forma mais sustentável, tecnologias capazes de transformar a indústria de energia, soluções para melhorar a vida das pessoas e estudos sobre passado, presente e futuro das transformações do planeta. O projeto tem potencial para alcançar mais de 700 comunidades vizinhas às unidades da Petrobras em 141 municípios de 16 estados. Inclusão na transição energética O Projeto Inspiração integra uma pesquisa do Centro de Pesquisa da Petrobras sobre mobilização e inclusão de jovens nas carreiras STEM. A iniciativa busca propor uma política de inclusão para jovens socialmente vulneráveis dentro das ações de Transição Energética Justa. A proposta também pretende enfrentar desigualdades que aparecem no próprio quadro da Petrobras. Entre os profissionais de carreira STEM na empresa, 87% são homens. Do total, 32,75% se autodeclaram pretos ou pardos. Entre as mulheres da Petrobras, 1,19% se declaram pretas e 3,38% se declaram pardas, o que soma 4,57%. O projeto busca ampliar a presença de jovens negras em áreas técnicas e científicas que têm peso crescente na estratégia de inovação e sustentabilidade da companhia. Desafio da formação em STEM no Brasil No Brasil, as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática têm papel estratégico para inovação, produtividade e competitividade. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais indicam que o país ampliou o acesso à educação, mas ainda enfrenta baixos resultados de aprendizagem desde a educação básica. A avaliação aponta que o problema não se limita ao volume de matrículas. O país também enfrenta baixa qualidade do aprendizado, evasão e dificuldade para formar talentos em escala compatível com a transformação digital e a economia do conhecimento. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes de 2022 mostram que o Brasil ocupou a 65a posição em Matemática e a 61a em Ciências entre 81 países avaliados. O levantamento aponta que 73% dos estudantes ficaram abaixo do nível básico em Matemática, enquanto 55% ficaram abaixo do básico em Ciências. Menos de 3% dos estudantes brasileiros alcançaram os níveis mais altos em Matemática e menos de 6% chegaram aos patamares mais elevados em Ciências. No ensino técnico e superior, apenas 15,6% dos graduados concluem cursos STEM, o que coloca o Brasil na 47a posição entre 48 países analisados.