Sem talento não há solução
1 Jul, 2026
Sábado participei da sessão de autógrafos do livro “Crônicas para ler com calma – Volume 5”, uma coletânea com 13 escritores, da editora Escuna. Cada participante publicou três textos. É a terceira vez que participo do projeto, duas vezes como escritor e outra como redator do prefácio. Para baratear o projeto não há venda em livrarias ou pela Internet. Todos os custos são rateados. No final do processo, cada um recebe 20 exemplares. Além disso, o total arrecadado no lançamento foi dividido entre todos. Enquanto caprichava nas dedicatórias, observei meus parceiros de livro. A maioria são velhos companheiros, todos oriundos da lida jornalística. Muitos, depois, enveredaram pelos caminhos da assessoria de imprensa. Depois dos autógrafos, alguns escritores permaneceram no Chalé da Praça XV, local do lançamento. Fiquei pensando nas profundas modificações ocorridas no processo de criação. A inteligência artificial, o ChatGPT e outras tantas ferramentas tecnológicas, facilitam o cotidiano dos profissionais da palavra. Confesso que nunca usei estes artifícios, mas conheço muitos colegas de atividade, da mesma faixa etária – ou seja, sessentões ou mais – que usam com parcimônia. “Uso a tecnologia desde sempre, mas não dispenso o fator humano, as sensações, sentimentos e o ‘molho’ de caráter pessoal que emprego em meus textos”, segredou um jornalista com mais de 50 anos de experiência, o decano dos 13 jornalistas do livro, dos quais sete são mulheres. Todo avanço é bem-vindo, até porque não existe solução quando não existe talento, dedicação e competência com as palavras.