Nasa lança missão inédita para rebocar telescópio no espaço

admin
3 Jul, 2026
A Nasa e a startup Katalyst lançaram nesta sexta-feira (3) uma missão inédita para rebocar um telescópio espacial para uma órbita mais segura. Inicialmente programado para terça-feira (30), o lançamento chegou a ser adiado devido ao mau tempo e, posteriormente, a problemas técnicos. A missão teve início às 5h36 desta sexta, a partir de um atol no oceano Pacífico. O objetivo é salvar o Observatório Neil Gehrels Swift, da agência espacial americana. Swift, como também é chamado, vem observando galáxias distantes e buracos negros desde 2004, embora tenha sido originalmente projetado para o estudo de explosões de raios gama no Cosmos. O equipamento é avaliado em US$ 500 milhões (US$ 2,6 milhões). Swift, sem capacidade de propulsão própria, está avariado. Segundo a Nasa, se nada for feito, ele deve naturalmente seguir em direção à Terra e se desintegrar na atmosfera até o fim deste ano. Pensou-se, então, em uma missão para tentar evitar que isso ocorra. Em setembro, a Nasa contratou a Katalyst Space Technologies por US$ 30 milhões (R$ 155,8 milhões). A empresa fica em Flagstaff, no estado americano do Arizona. A Katalyst projetou, construiu e testou a espaçonave Link dentro de nove meses. A ideia é que a nave, de meia tonelada, consiga se acoplar ao satélite avariado e o reboque para uma órbita mais alta e sustentável, potencialmente estendendo sua missão por anos. Mas tudo isso depende de um jato e de um foguete. O jato em questão, um TriStar, decolou nesta sexta-feira de uma base aérea americana no atol de Kwajalein, nas Ilhas Marshall. Voando a cerca de 12,2 mil metros sobre o Pacífico, ele deve liberar o foguete Pegasus XL, impulsionando-o em direção ao espaço. Dentro do compartimento de carga do foguete, estará a espaçonave Link. Uma vez separada do foguete Pegasus, a espaçonave Link seguirá em uma viagem de um mês até as proximidades do Swift. Se tudo correr conforme o planejado, a espaçonave voará até 9,6 km do observatório antes de iniciar sua aproximação final. A espaçonave autônoma, equipada com três conjuntos de propulsores e cinco sistemas de sensores, deve então levar mais uma semana para se encontrar com o Swift e usar seus três braços robóticos, cada um equipado com garras em formato de mãos, para agarrar o satélite. A dupla deve orbitar a Terra a estimados 27.360 km por hora. Uma vez que a espaçonave Link tenha firmemente agarrado o observatório, deve levar mais 60 dias para rebocá-lo até sua altitude-alvo de cerca de 600 km acima da Terra, o dobro da altura para a qual ele terá caído pouco antes do resgate, de acordo com a Katalyst. Espera-se que a espaçonave complete sua missão principal de recuperação de satélite com combustível suficiente para manobras adicionais de proximidade. Diante dos inúmeros riscos da missão, Shawn Domagal-Goldman, diretor da divisão de astrofísica da Nasa, declarou recentemente estar muito grato por ter "a oportunidade de ao menos tentar" salvar o telescópio. A missão envolvendo Swift é a primeira americana desse tipo. Tudo vem sendo acompanhado de perto como um teste de uma tecnologia-chave de manutenção de satélites com potenciais aplicações militares. "O Comando Espacial dos EUA se preocupa muito com isso, porque, em última análise, este é um elemento central da superioridade espacial", disse recentemente o CEO da Katalyst, Ghonhee Lee, à Reuters. No ano passado, a China demonstrou dois satélites orbitando em proximidade, após um teste em 2022 no qual um satélite chinês agarrou outro e o puxou para uma órbita diferente. O teste preocupou autoridades americanas, que afirmaram que a China poderia um dia empregar tais táticas contra espaçonaves dos EUA.