Irã denuncia crime de guerra dos EUA em meio a novos ataques

admin
9 Jul, 2026
O Ministério da Saúde do Irã informou, nesta quinta-feira (9), que os novos ataques dos Estados Unidos deixaram 14 mortos e 78 feridos desde quarta-feira (8). A ofensiva ocorre apesar de um acordo assinado entre os países em 17 de junho, que previa o fim das hostilidades. BREAKING: The United States just bombed Iran striking a civilian port in Bandar Abbas.The United States is supposed to be engaging in peace talks with Iran. Instead, the U.S. is completely violating the ceasefire and terrorizing the people of Iran all over again. pic.twitter.com/tjI9CAYAHI — Power to the People (@ProudSocialist) July 7, 2026 Em retaliação, o Irã lançou bombardeios contra países do Golfo aliados aos norte-americanos. O país persa também denunciou um "crime de guerra" e está convencido de que Washington tenta sabotar o funeral de seu ex-líder supremo Ali Khamenei.O Exército dos Estados Unidos acusou o Irã de ataques contra pelo menos três navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz nesta terça-feira (7). O Irã desafia Washington com a intenção de cobrar pedágio dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz - o país não cobrava tarifas antes dos ataques israelenses e americanos de fevereiro que desencadearam a guerra.O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Ormuz só será plenamente aberto sob "disposições iranianas". O governo dos Estados Unidos defende a liberdade de navegação, sem a cobrança de pedágios ou tarifas.Bases americanas atacadas O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o fim da trégua após a primeira troca de ataques na quarta-feira. Algumas horas depois, no entanto, ele abriu a possibilidade de prosseguir com o diálogo. Segundo as forças americanas, os últimos bombardeios contra o Irã tinham como alvo a capacidade do país de "ameaçar a livre navegação no Estreito de Ormuz". Um comunicado militar afirma que 90 alvos militares iranianos foram atingidos em ataques contra os sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e drones.Mas o Irã denunciou ataques contra infraestruturas civis. O Ministério das Relações Exteriores condenou ataques contra "províncias costeiras do sul" e contra duas pontes que levam à cidade sagrada de Mashhad, onde o caixão de Khamenei chegou nesta quinta-feira para o sepultamento.Segundo a televisão pública, os ataques obrigaram a suspensão do serviço ferroviário entre Teerã e Mashhad. A Guarda Revolucionária acusou Washington de tentar "ofuscar" o funeral de Ali Khamenei.Os ataques "representam, sem nenhuma dúvida, um crime de guerra flagrante", afirmou o Ministério das Relações Exteriores, que prometeu "defender a integridade territorial, soberania e segurança nacional".Por sua vez, a Guarda Revolucionária iraniana, o exército ideológico do país, anunciou que atingiu bases americanas no Bahrein e no Kuwait em ações de represália. O Exército oficial do país também reivindicou ataques contra alvos no Kuwait, Catar e Bahrein, três monarquias do Golfo aliadas dos Estados Unidos.Segundo a imprensa estatal, os ataques atingiram "um sistema Patriot de interceptação de mísseis no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein, com um grande número e variedade de drones militares". As autoridades kuwaitianas afirmaram que uma pessoa ficou ferida.Também foram observados aviões de guerra sobre a ilha iraniana de Kish e várias explosões sacudiram as cidades portuárias de Bandar Abbas, Konarak e Shabahar, segundo a agência oficial de notícias IRNA."Isto é uma retaliação pelo bombardeio de navios de ontem por parte do Irã. Se voltar a acontecer, será muito pior", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.Na quarta-feira, Trump declarou que a parte iraniana telefonou para ele porque queria alcançar um acordo. O presidente americano não revelou detalhes, mas colocou em dúvida um possível acordo ao afirmar que os iranianos estão "um pouco loucos".Marinheiros bloqueados O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu medidas para reduzir a tensão e a retomada do diálogo.O Irã afirmou que seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman al Thani, conversaram por telefone na quarta-feira e "ressaltaram a importância de usar meios diplomáticos".Omã, na margem sul do Estreito de Ormuz, condenou os ataques contra o Bahrein e o Kuwait, assim como contra os navios, mas sem responsabilizar o Irã.O país, que atuou como mediador entre Washington e Teerã, não atribuiu ao Irã a responsabilidade pelos ataques durante a guerra, com o objetivo de manter sua neutralidade, testada nas negociações sobre o controle de Ormuz.Os três navios atacados nesta terça-feira navegavam perto da costa de Omã. O tráfego marítimo havia sido retomado de maneira tímida após a assinatura do protocolo de acordo de junho entre Washington e Teerã. Porém, quase 6.000 marinheiros continuam bloqueados na região, segundo a Organização Marítima Internacional. | El Mando Central de Estados Unidos (CENTCOM) informó que el 7 de julio atacó más de 80 objetivos en el sur de Irán con municiones guiadas de precisión y destruyó más de 60 lanchas rápidas de la Guardia Revolucionaria Islámica (IRGC) en el estrecho de Ormuz y sus... pic.twitter.com/P5RlxiilNu — Radar Austral (@RadarAustral_) July 8, 2026