Seleções top 4 da Copa chegam para as semifinais com armas diferentes

admin
13 Jul, 2026
França (1o), Argentina (2o), Espanha (3o) e Inglaterra (4o). As quatro primeiras colocadas do ranking são também as quatro seleções restantes da Copa do Mundo. Ponto para a Fifa, que fez um chaveamento direcionado lá atrás, no sorteio dos grupos, para que o top 4 só se cruzasse nas semifinais, caso passassem em primeiro lugar em seus respectivos grupos —o que aconteceu. Também é a primeira vez desde 1990 que a semifinal reúne quatro campeões mundiais. Naquela ocasião, chegaram Alemanha, Inglaterra, Argentina e Itália. Espanha e França ainda não tinham títulos. Com isso, teremos na terça-feira (14), França x Espanha; e, no dia seguinte, Argentina x Inglaterra. Ao longo da competição, porém, cada seleção se municiou de armas diferentes para avançar no torneio. França Nenhuma seleção praticou um futebol melhor que a francesa nesta Copa. Ou não durante tanto tempo. A equipe de Didier Deschamps mantém o status de favorita apoiada em um ataque explosivo. São 110 finalizações até agora, mesma quantidade que a Espanha, mas com mais precisão (47 a 40). Mbappé tem oito gols, e Dembélé, cinco. Olise é responsável por cinco assistências. Deschamps ainda se dá ao luxo de revezar o quarto elemento do ataque, ora começando o jogo com Barcola, ora com Doué. Com posse de bola normalmente na parte ofensiva do campo, a atual vice-campeã explora a velocidade e a habilidade dos atacantes mais em jogadas pela faixa central do gramado, sem apelar tanto às bolas levantadas na área. Seus 15 cruzamentos precisos são um número bem inferior ao dos rivais restantes. Ainda assim, se precisarem recorrer aos chuveirinhos em uma reta final de jogo, os franceses mostraram que podem sacar uma outra arma do banco de reservas: Mateta, o atacante de 1,92 m acostumado a brigar nas bolas aéreas —expediente experimentado no final da partida contra Marrocos. Das quatro que chegam à fase decisiva, a seleção francesa é a única que não sofreu gols no mata-mata. As duas vezes em que foi vazada foram contra Senegal e Noruega, pela fase de grupos. Espanha Assim como na equipe campeã de 2010, a seleção usa a seu favor o tiki-taka —a troca incessante de passes rápidos para quebrar a linha de marcação. Ao todo, a Fúria trocou 3.590 passes bem-sucedidos na Copa. O número absoluto é um pouco menor que o da seleção argentina (3.669). Porém os sul-americanos jogaram no mínimo uma hora a mais, com suas duas prorrogações no mata-mata, diante de Cabo Verde e Suíça. A Espanha, por sua vez, resolveu todos os confrontos sem a necessidade do tempo extra. Os três principais passadores da Copa também estão na seleção de Luis de la Fuente: Rodri (597), Cubarsí (521) e Laporte (461). Reter a posse de bola não deixa de ser um trunfo defensivo. Afinal, enquanto a bola está com os espanhóis, não há chance de sofrer gols. Com 66% de posse, a Espanha levou apenas um gol, nas quartas de final, contra a Bélgica. Unai Simón foi o goleiro que menos trabalhou entre os quatro restantes (7 defesas). A seleção atual associou ao toque de bola as jogadas explosivas de Lamine Yamal e Nico Williams. Essenciais na conquista da Euro, em 2024, os dois chegaram ao Mundial lidando com contusões. Os problemas físicos de seus principais atacantes ajudam a explicar por que a seleção ibérica é a que chega à semifinal com o menor número de gols entre as quatro: 11, apesar de ter as mesmas 110 finalizações que a França. Se os titulares falharem, a arma secreta tem nome e sobrenome: Mikel Merino, o meio-campista do Arsenal. Ele marcou o gol da vitória contra Portugal e Bélgica. Inglaterra Em tempos de Premier League com os melhores times e jogadores do mundo, ficaram para trás os velhos tempos do futebol do chuveirinho na área, certo? Bem, sim, e não. Entre os quatro semifinalistas, a Inglaterra é a campeã dos cruzamentos precisos para área, foram 36 —o número é mais do que o dobro da França, com apenas 15 bolas alçadas com precisão. Esses cruzamentos resultaram em gols tanto para Kane como para Bellingham, os dois homens responsáveis por 12 dos 13 tentos da seleção —o outro foi de Rashford. O número de passes corretos da seleção inglesa é o menor entre as sobreviventes, com 2.713, quase mil a menos que os 3.669 da Argentina, sua rival na semifinal. O jogo contra os sul-americanos será também o embate entre as duas defesas mais vazadas do top 4, com seis gols cada uma. Claro que é preciso levar em consideração o mata-mata acidentado pelo qual a Inglaterra teve que passar. O English Team precisou, por exemplo, viajar até a Cidade do México e enfrentar a altitude com um jogador a menos por boa parte do jogo —o lateral Quansah foi expulso. A equipe de Thomas Tuchel finalizou no total 94 vezes, 40 no alvo, ou 42,55% —próximo dos 42,73% dos franceses, com muito mais chutes (110). Argentina Torcedores mais animados da seleção argentina podem ver com bons olhos os 17 gols da equipe, à frente até do elogiado ataque francês (16). No entanto, além da Messidependência (o craque é o autor de metade dos gols), o ataque sul-americano tem funcionado em momentos críticos do jogo: quatro dos gols foram nas prorrogações contra Cabo Verde e Suíça (franceses e espanhóis ainda não precisaram jogar um tempo extra na Copa). Messi, sempre ele, é também o maior criador de chances de gol na Copa, com 21 —entre os semifinalistas, o segundo colocado é Mbappé, com 16. E vem do camisa 10 argentino também a maior parte dos cruzamentos precisos da equipe: 16 dos 26 feitos. Não é segredo que nenhuma seleção joga tanto em função de um determinado jogador como a Argentina com seu ídolo. Mas a fase mata-mata não tem sido nada fácil para os atuais campeões, mesmo com adversários mais fracos, como Cabo Verde e Egito. A mais forte foi a Suíça, que sucumbiu após ficar com um jogador a menos. Nas duas últimas partidas, Messi começou a jogar no seu espaço preferido, na faixa mais central do campo. No entanto, em ambas, acabou se transformando quase em um ponta direita na parte final. Foi assim que cruzou para o gol de Romero, contra os egípcios. Nem sempre os lançamentos argentinos têm sido uma boa saída. A seleção é a que mais fica em situação de impedimento no top 4, 18 vezes —contra 7 da França. A atual campeã é também a que teve menos escanteios a favor (31), mas, com Messi cobrando dos dois lados, qualquer bola na área pode ser letal, como no gol de Mac Allister contra os suíços.