Tess: plataforma soma 100 mil agentes de IA

admin
14 Jul, 2026
A força de trabalho do futuro será híbrida, combinando seres humanos e agentes de inteligência artificial. Essa é a visão da startup brasileira Tess , que desenvolveu uma plataforma para construção e gestão de agentes de IA que é usada hoje por cerca de 300 empresas de vários países. A Tess estima que, desde o seu lançamento, no começo de 2025, cerca de 100 mil agentes de IA já foram criados em sua plataforma por aproximadamente 20 mil usuários. “A IA não é capaz de substituir-nos como seres humanos. Ela tem limites claros. Em muitas empresas, a implementação de IA é feita pelo departamento de tecnologia com o objetivo de reduzir as equipes. Mas, quando a gente verifica com cuidado, constatamos que houve corte de custos, mas também queda de faturamento. E, às vezes, o faturamento cai mais do que o custo”, alerta o fundador e CEO da Tess, Ricardo Barros, em conversa com o Mobile Time. Barros fez um levantamento em 2024 com dez empresas de grande porte que haviam adotado a IA. Ele afirma que os projetos levaram a um prejuízo total da ordem de R$ 1 bilhão. “As pessoas entram no Copilot, conectam os bancos de dados, mas não verificam se as respostas são verdadeiras ou se as contas foram feitas corretamente”, comenta. Sua proposta é que a IA seja encarada como uma ferramenta a ser operada pelos humanos. A ideia é que cada funcionário que mexa com um computador possa criar a sua equipe de agentes de IA para ajudá-lo em tarefas diversas do dia a dia, mas sempre sob o seu controle. Tess: conectores, modelos de IA e cobrança A plataforma da Tess é “no code”. Foi desenhada para que possa ser usada por profissionais sem conhecimento de programação. Nela, o usuário pode criar um ou mais agentes de IA a partir de uma descrição com as suas instruções. Há mais de mil conectores disponíveis para que o agente realize ações em outros sistemas ou serviços digitais, como CRMs, ERPs, gerenciadores de emails etc. Por trás de cada agente, podem ser usados diferentes modelos de IA. A Tess tem mais de 300 disponíveis, incluindo aqueles dos principais fornecedores mundiais, como a Anthropic, a OpenAI e o Google. A cobrança é feita por uso, a partir da compra de créditos. Dependendo do modelo de IA utilizado em cada tarefa, o custo em créditos é diferente. A plataforma oferece ferramentas para restringir o uso de determinados modelos ou estabelecer limites mensais por usuário, para conter os gastos. Agentes com personalidade, voz e interação Cada agente criado pode ter um nome, um rosto, uma personalidade e uma voz definidos pelo seu criador. Em média, cada usuário constrói cinco agentes, cada um especializado em um tipo de atividade. É como uma equipe de agentes de IA gerida por um humano, seguindo o conceito de força de trabalho híbrida. O agente tem tarefas predeterminadas que podem ser executadas mesmo com o computador desligado. Seu grau de autonomia é customizável: ele pode ou não ter autorização para cada tarefa, de acordo com a definição do seu criador. O usuário pode conversar com o agente por texto ou mesmo por voz, em uma chamada de áudio, para dar ordens ou tirar dúvidas. Em breve, os agentes poderão também interagir entre si, fazendo reuniões de brainstorm, trocando informações e gerando insights. Cada agente acumula uma memória própria e vai aprimorando seu ofício. Contudo, com o passar do tempo e o acúmulo de dados em seu histórico, seu rendimento pode piorar. Barros estima que, depois de alguns anos, os agentes precisam se aposentar, e novos precisam ser “contratados”. Super Bots Experience 2026 O case da Hypera Pharma, uma das usuárias da Tess, com centenas de agentes de IA criados, será apresentado no Super Bots Experience 2026 pelo consultor de inovação digital da farmacêutica, Rodrigo Marangon. O evento organizado pelo Mobile Time acontecerá nos dias 18 e 19 de agosto, no WTC, em São Paulo. A agenda atualizada e mais informações estão disponíveis em www.botsexperience.com.br .